Sistema integrado alternativo para produção de alimentos - Sisteminha EMBRAPA

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Sistema integrado alternativo para produção de alimentos - Sisteminha EMBRAPA

Mensagem  Admin em Seg Jun 09, 2014 8:26 am

Encontrei na TV Estatal esse sistema integrado de produção de alimentos e é uma ideia que há anos eu perseguia como solução de auto-suficiência e acredito que isso deva ser o norteamento de todo produtor rural, principalmente o familiar, pois fica independente dos altos e baixos do mercado,  auxilia e ensina que a policultura é o melhor caminho para pequenos produtores rurais.
Quem quiser procurar, encontrará na rede um procedimento parecido chamado "1/4 de acre e a liberdade", mostrando que em pouco mais de l.000 m² dá para produzir todo alimento necessário a um ser humano e dessa forma, cada ser humano que tendo seus l.000 m² , habitaríamos somente a Austrália, por exemplo, deixando o resto do planeta para "outros seres viventes" , o que de certa forma demonstraria que o nosso planeta precisaria de muito tempo ainda para ser considerado superpopuloso, como querem fazer alguns que acreditemos nisso. Esse sistema da Embrapa intensifica ainda mais essa ideia pois demonstra eficiência em apenas metade desse 1/4 de acre, ou seja, em apenas 500 m² e ainda mantem uma família de 4 pessoas que, pela ideia acima teria disponibilizado a essa família 4.000 m².

Veja uma boa ideia aqui:



A descrição do projeto é a que está disponibilizada na página do Banco do Brasil e os vídeos são os que se referem a isso. Neles há a informação que esse sistema foi patenteado e não encontrei  (ainda) nenhum esquema de construção do filtro de água que é o segredo de todo projeto, mas coloquei dois vídeos que referem-se à filtro biológico que não tenho certeza que é o mesmo.

Assim que puder (e isso pode demorar muito) e me inteirar da prática do sistema, volto a completar essas informações, mas o aqui disponibilizado já pode ser o ponto de partida também aos interessados/necessitados.



Resumo da Tecnologia:

Utilizar um pequeno tanque de 6000 l , com recirculação da água, construído com materiais diversos (papelão, varas e plástico) como motor na produção totalmente integrada e escalonada de peixes, verduras, frutas, milho verde, húmus de minhocas, ovos de galinha e forragem hidropônica.

Tema Principal:
Alimentação

Tema Secundário:
Recursos Hídricos

Problema Solucionado:

A piscicultura praticada em pequena escala, quando usada para alimentar diretamente quem produz, é uma aliada contra a fome e a miséria. A criação de peixes nesse caso, deve ser associada a outras atividades.
A piscicultura vinculada à produção de vegetais é conhecida como aquaponia. Uma grande parte dos minerais, como o cálcio, fósforo e potássio, presentes na ração dos peixes são eliminados nas fezes. Outros metabólitos da digestão das proteínas, como a amônia, que é altamente tóxica para os peixes, quando transformada pelas bactérias em nitrito ou nitrato, perde sua toxidez e torna-se essencial para o desenvolvimento das plantas. Assim, a agregação da piscicultura com o cultivo hidropônico e convencional de hortaliças, ou com a irrigação de pequenas áreas de capineiras e/ou pastejo, para pequenos ruminantes e aves caipiras traz muitas vantagens para o produtor familiar. O resíduo gerado na criação de peixes e dos outros animais também deve ser reaproveitado para formação de composto e na produção do húmus de minhocas. Até mesmo as moscas domésticas criadas em gaiolas, produzem larvas, que são utilizadas como complemento alimentar de pintos de ?capote?, perus e peixes.

Objetivo Geral:

Administrar produção de peixes em pequena escala de modo a permitir o uso e reuso da água, em áreas urbanas e periurbanas de até 1000 m², para a produção alternativa de alimentos diversos, de forma escalonada, para o consumo familiar.

Objetivo Específico:

Atender as necessidades básicas de consumo de peixe recomendado pela OMS que é de 12 kg percapta/ano; melhorar a subsistência de pequenos grupos familiares, gerando autossustentabilidade alimentar; contribuir de forma efetiva para redução da fome e da miséria; estimular o consumo da própria produção, agregando o valor real do produto ao deixar de gastar na compra dos mesmos.

Solução Adotada:

Os pequenos agricultores de alguns municípios nordestinos são dependentes de uma estação chuvosa muito curta para a produção de alimentos. A manutenção de um pequeno sistema de produção alternativa de alimentos permite a continuidade da agricultura durante todo o ano e diminui a dependência de uma breve temporada de chuvas ou irrigação. Isto aumenta a produção de alimentos, especialmente para as comunidades com maior dificuldade de acesso aos grandes centros.
A criação de sistemas alternativos para a produção de alimentos é uma ferramenta que pode e deve ser utilizada para redução da fome e da miséria. O uso da recirculação simplificada permite grande economia de água, uma vez que o seu uso passa a ser de múltipla utilidade e as perdas apenas aquelas provocadas pela evapotranspiração. A eficiência do sistema é aumentada e há uma melhor racionalização do uso da pouca água disponível, resultando em maior produtividade e disponibilidade de alimentos de alta qualidade, para suprir as necessidades básicas das famílias.
O indivíduo ganha mais quando come o que produz ou divide com os vizinhos do que quando vende em pequena escala. Ao comer o que ele próprio produz, o usuário agrega à sua renda o valor real que deixa de gastar por esses produtos. Além do aumento direto da produção de alimentos, ocorre a conservação da água e do solo, estimulando a sustentabilidade.
A subsistência de pequenos agricultores passa a ser considerada como sendo o melhor indicador da melhoria da receita. Dessa forma, cria-se uma alternativa para a análise da eficiência econômica com base na relação clássica de custo x benefício.
A integração visando segurança alimentar descrita nessa proposta inclui apenas atividades que atendam aos três princípios, a seguir:

1) Miniaturização;
2) retorno em apenas um ciclo de produção;
3) versatilidade e multiplicabilidade.

A miniaturização é o processo de produção de objetos de consumo em áreas cada vez menores. Ela é essencial para a produção urbana de alimentos, por reduzir os custos de investimentos e limitar a necessidade de mão de obra. O retorno em apenas um ciclo de produção torna-se viável, devido ao pequeno tamanho do empreendimento e baixo custo de implantação. Assim, permite-se o aproveitamento dos recursos existentes no entorno e na adequação modular das atividades, que são somadas.

A versatilidade na construção das instalações exercita a criatividade dos usuários e facilita a multiplicação do sistema. A reciclagem de diversos materiais é recomendada, podendo ser aproveitado o papelão para revestimento dos pequenos tanques de criação de peixes e uso do fio retirado de garrafas PET para as diversas amarrações.
Nesse sistema, as atividades de criação de galinhas, minhocas, hortaliças, hidroponia, etc., são integradas à criação dos peixes, em módulos independentes.
O sistema produz muito alimento, tem 100% de reaproveitamento dos resíduos e a água é intensamente reutilizada. A construção de pequenos tanques e galinheiros utilizando mão de obra familiar e materiais disponíveis no local elimina grande parte do custo fixo. O investimento se torna acessível mesmo para famílias de baixíssima renda.

A dependência com o comércio local é limitada à compra de insumos como ração, plástico e motobombas de pequeno porte.
A sustentabilidade a médio e longo prazo é favorecida.
A produção é baixa, com riscos mínimos de perda dos investimentos.
O manejo exige pouca mudança na rotina das famílias, ao contrário dos sistemas convencionais de recirculação que utilizam mão de obra especializada, são geralmente caros e de difícil manutenção. Em áreas de risco de doenças, como a dengue, os peixes podem se alimentar das larvas. Assim, se transformam em ferramenta auxiliar, para a redução da população desses insetos.

Resultado Alcançado:

Em 2012, de março a dezembro, foram realizados mais de 30 cursos, palestras e reuniões técnicas com base neste sistema, para um público alvo o mais diverso.
Uma Unidade Demonstrativa (UD) montada em Parnaíba, na Embrapa, foi visitada por mais de 800 pessoas.



O Sistema Integrado Alternativo para Produção de Alimentos, antes de completar um ano, produziu 1058 ovos, 90 kg de peixes, mais de 200kg de verduras diversas e 400kg de húmus de minhocas.

Os moradores de pequenos assentamentos que vivem no entorno da UD já estão adotando a tecnologia por conta própria e com sucesso. Os indígenas de Amarante (MA) das etnias Guajajara e Gavião, já criam peixes em suas aldeias. Na área periurbana de Parnaíba (PI), no assentamento Cajueiro, o usuário do Sistema Integrado Alternativo Para Produção de Alimentos tem oportunidade de familiarizar-se, de modo gradual, com as oportunidades de negócios que podem ser encontradas no seu próprio empreendimento.

O despertar como microempreendedor pode ser alcançado a partir do momento em que a pessoa usuária do sistema toma consciência de que pode produzir ?bem? em pequena escala. Momento em que ele poderá, livremente, optar pela ampliação e comercialização do excedente de sua produção. Nesse caso, por se tratar de iniciativa e determinação pessoal, a possibilidade de se obter um resultado positivo será maior, principalmente se houver o apoio dos órgãos de extensão e facilitadores de crédito.

Atualmente estão sendo conduzidas reuniões técnicas, que resultam em parcerias efetivas, entre os técnicos da Embrapa, agentes de extensão das Emater, BNB (por meio do micro crédito), Incra e pessoas interessadas.
Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada:

Cidade/UF Bairro Data da implementação
Parnaíba / Piauí Assentamento Cajueiro 02/2013


Público-alvo da tecnologia:

Adolescentes

Quantidade:

Profissionais necessários para implementação da tecnologia:

Profissional Quantidade
Técnico extensionista 1


Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia:

1. Determinação dos Investimentos Fixos "Sisteminha Embrapa"

    1.1 Construção de tanque de criação de peixes

    Plástico estufa 6 x 8 m (150 mca)
    Estacas de sabiá (sansão do campo) 50 * 1,50 m ;
    Bombas SB 2000 (2)
    Fio para tomadas (20m )
    Tomadas de 4 saídas (1 )
    Corda de Nylon desfiada (2kg)
    Balde 40 kg biofiltro (1)
    Balde não reciclado 60 kg sedimentador (1)

    1.2 Hidroponia

     Tubo de PVC 100 mm (6m)
     Estacas de sabiá 12 x 2,0 m
     Sombrite 2,0 x 3,0m

     1.3 Galinheiro

     Estacas de sabiá 1.000 * 2,50 m ou Tela galvanizada galinheiro (2x22x1,80) 1 rolo 50m
     Palhas carnaúba para sombreamento (6m2 )
     Arame para amarração (2kg)
     Bebedouro simples plástico (1)

     1.4 Minhocário

     Palhas carnaúba para sombreamento (6m2)
     Estacas de sabiá (20*2,0m)
     Tabocas (bambuzinhos) para fundo (20*3m)
     Sombrite (tela de ráfia) para proteção (2*3m) ]

     1.5 Composteira

     Estacas de sabíá (10*3m)
     Tela sombrite (2,5m)

     2. Determinação dos Investimentos Variáveis

      2.1 Material de Consumo Energia elétrica
      2.2 Despesas com Alevinos Alevinos de tilapia
      2.3 Despesas com pintos Pintos de galinha
      2.4 Ração / Medicamentos Ração peixes Ração aves Vacinas aves
      2.5 Outros kit analise de água

Valor estimado para a implementação da tecnologia:

      1.1 Tanque peixe: a. R$ 537,00 e b. R$ 382,00;
      1.2 Hidroponia: a. R$ 42,00 e b. R$ 42,00;
      1.3 Galinheiro: a. R$ 2553,00 e b. R$ 61,00;
      1.4 Minhocário: a. R$ 147,00 e b. R$ 9,00;  
      1.5 Composteira: a. R$ 86,25 e b. R$ 56,25.

      2. Custo variável: a. R$ 967,00 e b. R$ 967,00.

     Obs.: opção "a" comprando todo material no mercado e opção "b" com aproveitamento de recursos locais.


Instituições parceiras na tecnologia:

Instituição parceira          Atuação na tecnologia social
BNB                                          Liberação de recursos financeiros para interessados

Impacto Ambiental:

O impacto ambiental é positivo, pois utiliza-se pouca água, o que é importante no semiárido/NE.



Tudo que é gerado é reciclado e reintegra ao sistema produtivo. Devido a qualidade da água oriunda dos peixes, húmus e compostos que são utilizados como adubo orgânico, evita-se defensivos agrícolas e outros insumos que podem prejudicar a natureza. A utilização de energia elétrica acontece apenas no sistema de recirculação e bombeamento da água. Ela pode ser substituída pela energia solar.
Forma de Acompanhamento:

O acompanhamento é realizado com visitas técnicas nos locais externos à EMBRAPA. Por meio de entrevistas são verificadas as deficiências e os avanços alcançados. São apresentadas as alternativas existentes para a ampliação dos módulos das atividades. No entanto, a decisão de escolha é do produtor que não sofre pressão para adotar outras tecnologias. O ritmo de adesão e adequação das atividades a partir da implantação do tanque de peixes e/ou galinheiro depende apenas do interesse do produtor.

Forma de Transferência:

A transferência da tecnologia é realizada na forma de palestras e aulas teóricas e práticas sobre:
- construção dos tanques: são montados tanques em local de fácil acesso ao público.

São construídos com materiais diversos utilizados pela população local, nas dimensões de 3,0m largura x 4,0m comprimento e 0,7m profundidade, com 7,2 m3 de volume útil;

- uso da trena e nível de água; - construção do filtro biológico;
- montagem e manutenção das bombas de recirculação.
Galinheiro, minhocário, compostagem e etc:
- discute-se sobre as particularidades da criação;
- alternativas de instalações; - tipos de materiais disponíveis;
- adequação do conhecimento familiar para a solução dos problemas nas diversas fases da criação dos animais e implantação de hortas etc;

Endereços eletrônicos associados à tecnologia:

www.proparnaiba.com/redacao/2013/03/23/em-semin-rio-embrapa-apresenta-o-sisteminha.html

Depoimento Livre:

“O sistema aqui proposto não tem a pretensão de substituir as atividades de rotina na obtenção da renda familiar e deve ser considerado apenas como uma ferramenta eficiente para auxiliar no combate à fome, miséria e economia racional da água, com sustentabilidade e proteção ambiental. Comendo o que se produz ao invés de vender, agrega-se valor.
A receita do valor economizado na compra desses mesmos produtos é investido em insumos para pequenas criações de aves e peixes. Além do que, o sistema é eficiente, de fácil construção e de baixo custo. A criação de peixes aliada à criação de aves semi-confinadas forma o núcleo central do sistema integrado, que passa a produzir outras coisas como húmus de minhocas, composto e hortaliças convencionais, em configuração modular interligada.”

Atualizada em: 28/10/13

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Anexos
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