Aquífero Alter do Chão

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Aquífero Alter do Chão

Mensagem  Admin em Dom Set 28, 2014 12:04 am


Não existe outro lugar no plan­eta Terra onde o man­an­cial de águas sub­ter­râneas seja tão abun­dante quanto o Aquífero de Alter do Chão. O imenso lago de água potável se estende sob a igual­mente gigan­tesca bacia do Rio Ama­zonas. Alter do Chão ocupa, a par­tir de agora o lugar daquele que era então, o maior Aquífero do mundo — o Guarani, que se estende pela Argentina, Paraguai e Uruguai. A capaci­dade de Alter do Chão ainda não foi dev­i­da­mente esta­b­ele­cida, mas dados pre­lim­inares apon­tam para uma área de 437.500 km² e uma espes­sura média de 545 met­ros com um vol­ume esti­mado de 86 mil km³ de água doce sufi­ciente para abaste­cer 100 vezes toda a pop­u­lação mundial.

Pesquisadores da Uni­ver­si­dade Fed­eral do Pará (UFPA) apre­sen­taram, no dia 16 de maio de 2010, um estudo apon­tando o Aquífero Alter do Chão como o de maior vol­ume de água potável do mundo. O Grupo de Pesquisa em Recur­sos Hídri­cos da UFPA é inte­grado pelos pro­fes­sores Fran­cisco Matos, André Mon­tene­gro e ainda pelos pesquisadores Mil­ton Mata (UFPA), Mário Ribeiro (UFPA) e Itabaraci Nazareno (Uni­ver­si­dade Fed­eral do Ceará/​UFC). A reserva sub­ter­rânea está local­izada no sub­solo dos esta­dos do Ama­zonas, Pará e Amapá. O Aquífero de Alter do Chão tem quase o dobro do vol­ume de água potável que o Aquífero Guarani. Uma grande van­tagem do Aquífero de Alter sobre o Guarani, é que este último está sob a rocha enquanto o da Amazô­nia tem ter­reno arenoso. A chuva pen­e­tra com facil­i­dade no solo e a areia fun­ciona como fil­tro nat­ural. Per­furar o solo arenoso é fácil e barato. Lev­an­ta­men­tos futuros poderão deter­mi­nar que o Aquífero é ainda maior do que o esti­mado ini­cial­mente. O geól­ogo da UFPA Mil­ton Matta afirma:

Mil­ton Matta

Os estu­dos que temos são pre­lim­inares, mas há indica­tivos sufi­cientes para dizer que se trata do maior aquífero do mundo, já que está sob a maior bacia hidro­grá­fica do mundo, que é a do Amazonas/​Solimões. O que nos resta agora é con­vencer toda a cadeia científica do que esta­mos falando.

O nome de Aquífero Alter do Chão pode vir a ser alter­ado tendo em vista ter o mesmo nome de um dos lugares turís­ti­cos mais impor­tantes do Estado do Pará, o que cos­tuma provo­car enganos sobre a local­iza­ção da reserva de água.

Esta­mos pro­pondo que passe a se chamar Aquífero Grande Amazô­nia e assim teria uma vis­i­bil­i­dade com­er­cial mais inter­es­sante. (Mil­ton Matta)

A segunda etapa do lev­an­ta­mento pre­tende inspe­cionar poços já exis­tentes na região do aquífero.

Pre­tendemos avaliar o poten­cial de vazão. Dessa maneira ter­e­mos como men­su­rar a capaci­dade de abastec­i­mento da reserva e cal­cu­lar a mel­hor forma de explo­ração da água, de maneira que o meio ambi­ente não seja com­pro­metido. (Mil­ton Matta)

Marco Anto­nio Oliveira, Super­in­ten­dente do Serviço Geológico do Brasil, em Man­aus, afirma que a mag­ni­tude de um Aquífero é pro­por­cional ao tamanho de sua Bacia Hidro­grá­fica. O Aquífero Alter do Chão abastece de água mais de 40% da cidade de Man­aus, são dez mil poços par­tic­u­lares e 130 da rede pública. O abastec­i­mento de out­ras cidades do Estado do Ama­zonas é bombeado, na sua total­i­dade, da reserva sub­ter­rânea. A da cidade de São Paulo baseia 30% de seu abastec­i­mento nas águas do Aquífero Guarani. Marco Anto­nio Oliveira disse que a reserva de água, no entorno de Man­aus, está muito con­t­a­m­i­nada.

É onde o aquífero aflora e tam­bém onde a coleta de esgoto é insu­fi­ciente. Ainda é alto o vol­ume de emis­são de esgoto “in natura” nos igara­pés da região. (Marco Anto­nio Oliveira)

Marco Anto­nio Oliveira faz uma ressalva sobre a explo­ração com­er­cial da água no Aquífero Alter do Chão ressaltando a neces­si­dade de se con­struir um plane­ja­mento estratégico de âmbito nacional.

A água dessa reserva é potável, o que demanda menos trata­mento químico. Por outro lado, a médio e longo prazo, a explo­ração mais inter­es­sante é da água dos Rios, pois a recu­per­ação da reserva é mais ráp­ida. A vazão do Rio Ama­zonas é de 200 mil m³/​segundo. É muita água. Já nas reser­vas sub­ter­râneas, a recarga é muito mais lenta. (Marco Anto­nio Oliveira)

O Super­in­ten­dente do Serviço Geológico do Brasil enfa­tiza a qual­i­dade da água extraída do Aquif­ero Alter do Chão.

A região amazônica é menos habitada e por isso menos polu­ente. No Guarani, há um prob­lema sério de flúor, metais pesa­dos e inseti­ci­das usa­dos na agri­cul­tura. A for­mação rochosa é difer­ente e fil­tra menos a água da super­fí­cie. No Alter do Chão as rochas são mais arenosas, o que per­mite uma fil­tragem da recarga de água na reserva sub­ter­rânea. (Marco Anto­nio Oliveira)

Fonte: INSTITUTO DE ESTUDOS ESTRATÉGICOS INEST - UFF




Veja também: Aquífero Guarani
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Re: Aquífero Alter do Chão

Mensagem  Admin em Dom Set 28, 2014 12:19 am

Só que, quando se fala em água, aqui no Brasil, parece que estamos no Atacama ou no Saara. É a falácia que usam para justificarem a cobrança cada vez mais cara de um produto tão barato e abundante. Usam como prerrogativa o abastecimento de grandes centros urbanos feitos através de água represada de rios poluídos com caro tratamento da mesma para disponibiliza-la para consumo.

Várias cidades do interior de S.Paulo, abastecidas pelos diversos poços profundos aderem a esse ecoterrorismo e aproveitam  para continuarem arrecadando mais do que o necessário para o mantenimento  da extração da água.

Quando sempre acusei isso, chamavam-me de leigo. Então, com a palavra um catedrático:

 A chamada "Crise Mundial da Água" tem sido objeto de debates nos principais fóruns técnico-científicos, desde Estocolmo-72, na 1ª Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano.

Na 2ª Conferência das Nações Unidas, no Rio de Janeiro, a Rio-92, foi assumido um compromisso com o desenvolvimento sustentável: atender as necessidades da humanidade no presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem também as suas.

A Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, denominada de "Rio + 10", em Joanesburgo, África do Sul, possibilitou uma ampla divulgação sobre a "crise da água". Comenta-se hoje até sobre a possibilidade da III Grande Guerra estar vinculada às disputas pela garantia das demandas de água potável.

A UNESCO acrescentou mais “pimenta” na questão da "crise da água", identificando na "inércia política" dos governos como o responsável pela crise que deverá afetar cerca de 2 milhões de pessoas em 48 países, até a metade do século XXI.

A questão que levantamos aqui para reflexão é: Existe, realmente, a denominada "crise da água"? Para que possamos respondê-la é necessário levar em conta diversos elementos técnicos e políticos, e abordar a questão de forma desapaixonada, tanto quanto for possível, devido à importância que esse bem mineral representa para a vida do homem.

É importante enfatizar, que desde os primórdios dos tempos, tudo que diz respeito à água é político. O 1º Fórum Mundial da Água, realizado em Dublin, em 1992, aprovou o conceito da água como "bem mineral", compondo as matrizes econômicas de diversos paises.

Durante o 3º Fórum Mundial da Água (Kyoto, Japão, 2003), diversas ONGs pleitearam que se considerasse as necessidades básicas de todo indivíduo de consumir 50 litros/dia per capita. Todavia, a experiência tem demonstrado que as populações que possuem rede coletora de esgotos necessitam consumir no mínimo 100 litros/dia per capita, sob pena de não terem fluido suficiente de água para transportar o material sólido do esgoto doméstico.

E existe essa quantidade de água disponível no planeta para suprir essa demanda? Se analisarmos que as demandas totais de água no mundo são da ordem de 6.000 km3/ano e que a distribuição do consumo contempla os usos: doméstico (10%), industrial (20%) e de agricultura (70%), e lembrarmos ainda que, com a redução de 10% dos desperdícios verificados na agricultura, cuja perda média mundial nos projetos de irrigação é de 60%, já daria para abastecer uma população do dobro da atual FAO (2000), acreditamos que sim.

Portanto, verifica-se que, em escala global, não há falta de água doce no mundo. Além disso, sabemos que o ciclo hidrológico representa o movimento da água no meio físico. Sendo assim, este recurso está em constante circulação, passando de um meio a outro, sem ganhos ou perdas de massa no sistema.

A quantidade de água na terra não vem se reduzindo ao longo do tempo, como alguns querem crer. Existe, hoje, água em quantidade suficiente no planeta para abastecer mais do que o dobro da população atual. Isso implica em desmistificar a chamada "crise da água". Na realidade não existe crise da água!

Mas, então, porque essa movimentação toda acerca do assunto? A verdadeira crise é de gerenciamento desse bem mineral.

As relações da água com a economia diferem de país para país, dependendo de: condições climáticas, disponibilidade, acessibilidade e qualidade dos recursos hídricos, além das condições de desenvolvimento econômico e social de cada nação.

No Brasil, o crescimento desordenado das regiões metropolitanas vem ocasionando uma aceleração dos processos de degradação dos recursos ambientais, principalmente da água. E as políticas desenvolvidas pelos poderes públicos constituídos não têm contemplado a utilização eficiente da água.

Mas como convencer o povo amazônida a poupar água, se toda tarde ele vê o céu acinzentar com a anuncio da chuva? É bem verdade que estamos em situação privilegiada no quesito água, porém a relação quantidade e qualidade nem sempre é direta.

Fonte : Beira Rio - Jornal da Universidade Federal do Pará.

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