OS NUTRIENTES DAS PLANTAS

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OS NUTRIENTES DAS PLANTAS

Mensagem  Admin em Sex Mar 13, 2015 6:16 pm



Meus eternos agradecimentos à almas santas como o sr. Gastão Ney Monte Braga que disponibiliza o seu raro conhecimento de maneira extremamente didática, tanto a estudantes como a leigos que queiram se interar das técnicas fundamentais para conhecermos melhor o chão que plantamos  ou que pretendamos plantar. Quem dera muitos profissionais fizessem isso para tirar o nosso povo da ignorância e dar-nos um grau de conhecimento bem além do que temos ou pretendamos ter. As consequências disso são imensuráveis, principalmente para os povos de Língua Portuguesa.



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OS NUTRIENTES DAS PLANTAS (1) - O Nitrogênio (N) e Potássio (K)

NITROGÊNIO (N):

O Nitrogênio (N), como o Magnésio (Mg), são os dois únicos nutrientes que provém do solo e que fazem parte da molécula de clorofila. Uma deficiência de Nitrogênio e/ou Magnésio provoca a clorose (amarelecimento das folhas) que significa baixo conteúdo de clorofila.
O Nitrogênio (N) em quantidades adequadas provoca um desenvolvimento vigoroso das plantas, com uma área de exposição de folhas muito grande. Se a planta apresentar uma área de folhas pequenas, a planta perde em desenvolvimento que se reflete numa queda de produção.
Plantas bem supridas de Nitrogênio, através da adubação, apresentam altos teores de proteínas. Como componente dos aminoácidos, o nitrogênio faz parte das moléculas de proteínas.

Um excesso de aplicação de nitrogênio pode ocasionar a acumulação deste nutriente sob a forma não protéica. Isto pode provocar o acúmulo de teores tóxicos de N nítrico principalmente nas plantas jovens e naquelas que estão sofrendo com a seca.
As leguminosas, como a soja, têm a propriedade de fixar o nitrogênio do ar através de bactérias do gênero Rhysobium que desenvolvem nódulos nas raízes e nutrem as plantas. Por este motivo, se utiliza fórmulas de adubação sem nitrogênio, por exemplo a fórmula  0-30-15, ou pequenas quantidades para dar o arranque inicial, por exemplo a fórmula  2-30-15, principalmente em solos com baixo teor de matéria orgânica (MO < 1,5%).

Convém lembrar que é importante fazer a inoculação das sementes de soja e de outras leguminosas, com bactérias fixadoras de nitrogênio utilizando produtos chamados INOCULANTES. Na compra do inoculante verificar se é específico para a cultura e o prazo de validade.
O nosso meio ambiente é o meio ambiente do nitrogênio. O ar que respiramos contém cerca de 75 a 80% de nitrogênio.
Uns dizem que o ar contém cerca de 36.000 toneladas de nitrogênio sobre cada hectare. Outros dizem que este número é 80.000 toneladas de nitrogênio. O nitrogênio da atmosfera é um gás inerte e insolúvel. Não tem valor para a planta. Com exceção é claro das leguminosas, como vimos anteriormente.

O nitrogênio do ar precisa combinar-se com outros elementos para tornar-se um fertilizante. Daí, as indústrias de fertilizantes fazerem a conversão do nitrogênio do ar para amônia anidra (sem água). A amônia é a matéria prima para a produção de fertilizantes nitrogenados, como veremos adiante.
As plantas usam duas formas de absorção de nitrogênio: o nítrico (NO3-) e o amoniacal (NH4+).   A preferência da planta é pela forma nítrica. outros textos sobre nutrientes, acidez do solo, calagem, adubação, fertilizantes, etc... são encontrados no blog (http:/agronomiacomgismonti.blogspot.com)

1.  N – nítrico (NO3-)

• Não é absorvido rapidamente pelo solo e, com isto, é livre para se  mover no solo havendo perdas dos nitratos na solução do solo por percolação ou por erosão;
• Pode ser denitrificado em solos encharcados. Há uma perda para o ar de moléculas de nitrogênio;
• É uma forma usada em grandes quantidades pelas plantas;
• É fixado pelos microorganismos.

2. N – amoniacal (NH4+)

• Facilmente absorvido pelo solo;
• É nitrificado, isto é, converte-se em (NO3-) rapidamente em temperaturas maiores que 10°C;
• Pode ser fixado por alguns minerais tornando-se indisponível para as plantas;
• Em solos alcalinos, pode haver formação de amônia que é perdida para o ar pela volatilização;
• É prendido pelos microorganismos do solo.

AMONIAÇÃO:

Amoniação é a conversão biológica , como as proteínas, em (NH4+).
  Proteína + água (bactérias) = aminoácidos + água (urease) = NH4+

             CO(NH2) 2 (uréia)  + H2O  (  urease  ) =   NH4+

A urease é uma enzima presente nos solos.

Em solos úmidos e com temperaturas adequadas a uréia converte-se em N nítrico que é tóxico para algumas plantas.
A “adsorção de amônia” ocorre rapidamente quando se aplica amônia anidra (NH3) ou quando a uréia é hidrolisada. Toda a amônia é convertida em NH4+ que é adsorvido pelo solo como acontece com os outros cátions.

   NH3  +  H2O  =  NH4+  +  OH-

Como o N amoniacal é adsorvido pelo solo, ele é resistente às perdas por lavagem.
O íon amônia produz, também, íons hidroxilas (OH-) que são os responsáveis pelo rápido aumento do pH do solo logo após a aplicação do produto. Mas o pH cai rapidamente à medida que se verifica a nitrificação.

A “nitrificação”  é a conversão do N amoniacal em N nítrico através da ação de bactéria do gênero Nitrossomonas.


NH3  (nitrossomonas) = NO2-   +  3 H+

       NO2-  (nitrobactérias) = NO3-


Os íons H+ que se formam são os responsáveis pela acidificação do solo.

Em solos bem aerados (presença de oxigênio), temperaturas de 23 a 33°C e pH em torno de 6,5 ou mais, favorecem a nitrificação.

A “denitrificação” é o inverso do processo de nitrificação. E ocorre em condições opostas, ou seja, solos encharcados, temperaturas médias, pH alto e grande quantidades de bactérias.

NO3- (bactérias) = NO2-; =  N2O =  N2 nitrogênio elementar  gasoso
                          NO
Óxido nítrico
            gasoso
 
Vemos que o maior produto da denitrificação é o nitrogênio elementar – 80 a 90% do produto.

Convém lembrar que apenas o N nítrico está sujeito à denitrificação. Com o N amoniacal tal fato não ocorre. Daí, porque se deve aplicar nitrogênio na forma amoniacal nas lavouras de arroz irrigado.

A “volatilização” da amônia é outra maneira de se perder nitrogênio. A uréia quando em aplicações superficiais em solo de baixa capacidade de troca de cátions, ou secos, ou em tempo quente, sofre pela sua decomposição perdas de amônia por volatilização.
As plantas apresentam sintomas de amarelecimento das folhas quando ocorrem deficiências de nitrogênio.
Em solos encharcados, a falta de oxigênio compromete a produção de energia pelas raízes e com isto, limita a absorção de nutrientes. Pode ocorrer deficiência de nitrogênio embora o solo apresente grande disponibilidade. Solos frios também reduzem a absorção de nutrientes pela baixa produção de energia respiratória.

POTÁSSIO (K):

O potássio (K) é absorvido pelas plantas na forma de íon  K+. Portanto, um cátion com carga positiva. Em solos deficientes, o potássio poderá se esgotar em menos de um dia. Há necessidade de liberar potássio para a solução do solo.
Este processo se dá pela troca de cátions onde o potássio trocável cede o seu lugar e migra para a solução do solo. Daí a necessidade de manter uma quantidade de potássio no solo.

Algumas argilas têm a capacidade fixar o potássio. É o que chamamos “potássio fixado”. Entretanto, este íon K+ fixado pode ser trocado por outro cátion como o íon NH3+ de carga elétrica e tamanho semelhantes com a conseqüente liberação do potássio para a solução do solo.

Na solução do solo, o potássio é móvel e, também, sujeito às perdas por lixiviação. Mas como a concentração de potássio na solução é baixa, as perdas são menores. Isto já não acontece em solos arenosos onde a capacidade de troca de íons é baixa, ocorrendo perdas.

O potássio age livre na planta. Não forma compostos como acontece com o nitrogênio e o fósforo. O potássio é importante na fotossíntese, na formação de frutos, resistência ao frio e às doenças das plantas. O potássio tem um papel significativo na translocação do açúcar e é importante na formação de proteínas e aminoácidos.

As plantas, por sua vez, precisam ter um nível adequado de potássio para manter a sua pressão interna e evitar o murchamento. Nas plantas, o caule e a palha têm teores relativamente altos de potássio do que nos grãos.

Em solos deficientes de potássio, abaixo do ponto crítico necessário para o caule e palha, ocorre o acamamento. Palha e caules fracos surgem quando os níveis de nitrogênio são altos e os níveis de potássio são baixos. Deficiências de magnésio (Mg) ocorre em solos com alto potássio e baixo magnésio.

Os fertilizantes potássicos são os únicos que podem ser aplicados diretamente no solo sem passar por tratamento químico.

O potássio  é  absorvido  pela  planta  na  forma  de  cátion  K+.

Veja, também, as publicações (2) sobre o fósforo (P) e a (3) sobre os macronutrientes secundários - Cálcio (Ca), Enxofre (S) e Magnésio
(Mg).


OS NUTRIENTES DAS PLANTAS (2) - O Fósforo (P)

Na publicação anterior "Os Nutrientes das plantas (1) , abordamos sobre o nitrogênio (N) e o potássio (K). São os chamados micronutrientes primários, os quais as plantas precisam em maior quantidade. São os componentes dos adubos NPK. Outros textos sobre nutrientes, análise do solo, acidez, calagem, adubação, fertilizantes, fórmulas, etc... são encontrados no blog (http:/agronomiacomgismonti.blogspot.com)

O FÓSFORO (P)

Dos três macronutrientes primários exigidos pelas plantas, o fósforo é absorvido em pequenas quantidades. Mas sua presença no solo é indispensável para o crescimento e produção de grãos e frutos. O fósforo é importante para a realização da fotossíntese.
O fósforo, na planta, apresenta uma grande mobilidade. Em casos de deficiência, o fósforo tem a propriedade de mover-se dos tecidos velhos para os mais novos.

A qualidade e o amadurecimento precoce de grãos e frutos estão relacionados com uma adequada nutrição de fósforo.
As plantas jovens absorvem o fósforo mais rapidamente o que permite um crescimento rápido e intenso das raízes em ambientes com níveis adequados do nutriente. Afirma-se que quando as plantas atingirem 25% da altura total, elas já armazenaram 78% de suas necessidades totais em fósforo.

Isto explica porque deve haver um suprimento adequado de fósforo no momento que as planats começam a germinar, particularmente em plantas de ciclo curto.

Os fertilizantes fosfatados sob a forma solúvel em água reagem, no solo, com o ferro, alumínio, argilas, matéria orgânica, formando compostos insolúveis não aproveitáveis pelas plantas. Por isto, uma cultura aproveita apenas 15 a 25% do fósfor aplicado como fertilizante.

Isto explica o porque das fórmulas de fertilizantes (NPK) apresentarem o teor relacionado ao fósforo em maior quantidade se as plantas exigem pequenas quantidades deste nutriente. Por exemplo: a fórmula 5-30-25 é um adubo NPK contendo 5% de nitrogênio (N), 30% de fósforo (P) e 15% de potássio (K). Nesta fórmula, o maior nutriente em quantidade é o fósforo (P=30).
Por que? Como vimos as plantas aproveitam de 15 a 25% do fósforo aplicado no solo. Portanto, a necessidade de se utilizar fórmulas com altas concentrações de fósforo para liberar aquela quantidade que a planta necessita para o seu desenvolvimento até a maturação. O restante do fósforo que foi fixado no solo será liberado com  aplicações de calcário (calagem).

No solo, o fósforo é pouco móvel pois é firmemente retido não sofrendo com a percolação. Mesmo em campos irrigados, a água de drenagem apresenta valores de fósforo que não excedem a 1 mg/dm3. Sendo assim, as perdas de fósforo por percolação são desprezíveis. Entretanto, a erosão é a responsável pelas maiores perdas de fósforo. Na erosão, verifica-se perdas de matéria orgânica e partículas coloidais com fósforo.
Os fertilizantes fosfatados solúveis em água apresentam uma solubilidade alta. Isto se explica o conceito de que somente os fosfatados solúveis em água são aproveitados pelas plantas. Por causa desta solubilidade, o fósforo move-se a pequenas distâncias a partir do ponto de aplicação. Assim sendo, o volume de solo enriquecido com fósforo é pequeno. Isto tende a ser menor quando se faz uma aplicação nos sulcos do que quando se aplica em cobertura total.

No solo, o fósforo encontra-se fixado, imobilizado, adsorvido e disponível.

1. FIXADO – é aquela forma de fósforo mineral que se encontra combinada a outros  elementos como cálcio, ferro e alumínio, formando compostos não assimiláveis pelas plantas. Esta fixação depende das condições inerentes a cada solo e pode ocorrer com maior ou menor intensidade.

2. IMOBILIZADO – é aquela forma de fósforo que se apresenta na fórmula orgânica não assimilável pelas plantas. Este fósforo torna-se disponível para a planta pela mineralização da matéria orgânica.

3. ADSORVIDO – é aquela fração de fósforo que se encontra preso ao complexo coloidal do solo tornando-se disponível através de trocas com as raízes.

4. ASSIMILÁVEL – é aquela parte de fósforo que se encontra diluído na solução do solo sendo facilmente absorvido pelas plantas.

FÓSFORO DISPONÍVEL = FÓSFORO ADSORVIDO + FÓSFORO ASSIMILÁVEL

CICLO  DOS  FOSFATOS  SOLÚVEIS

1. O fosfato solúvel em água em contato com a solução do solo, solubiliza-se tornando-se imediata e totalmente disponível. Parte deste fósforo fica diluido na solução do solo e parte fica adsorvido ao complexo coloidal  (argilas), por troca iônicas com OH-;

2. Nossos solos sendo ácidos apresentam elevados teores de ferro, e alumínio e outras bases e, portanto, grande parte do fósforo disponível é fixada, formando compostos de ferro e alumínio insolúveis;

3. Parte do fósforo disponível é absorvida pelos vegetais e pelos microorganismos do solo para obterem a energia para viverem. Temos, então, o fósforo imobilizado;

4. O fósforo fixado poderá voltar a ser disponível pela ação dos ácidos orgânicos provenientes da mineralização da matéria orgânica e pela acidez livre do solo (H+), pelas secreções ácidas das raízes e pelo gás carbônico do ar do solo;

5. Com a morte dos microorganismos do solo e dos restos de culturas, o fósforo imobilizado pode tornar-se, novamente, disponível para as plantas pelo processo da mineralização da matéria orgânica.

O número de microorganismos no solo é grande. Apenas em 1 grama de solo encontramos de milhares a milhões de fungos, bactérias, algas e protozoários, etc...

Nesta ação de desdobramento da matéria orgânica do solo pelos microorganismos, resultam ácidos fracos ( acético, cítrico, fórmico e outros) os quais podem solubilizar as formas de fósforo fixado. Parte do fósforo é aproveitado pelos microorganismos e parte fica disponível na solução do solo para ser absorvida pelas plantas ou ser novamente fixada.
Existem fosfatos que são insolúveis em água mas que podem ser utilizados diretamente para aplicação no solo. São os fosfatos naturais que não sofrem nenhum tratamento químico ou térmico. Mas atenção: nem todo fosfato natural serve para aplicação direta no solo. Duas condições básicas devem ser satisfeitas para permitir o uso destes fosfatos como fonte de fósforo para as plantas:

1. Utilização de fosfatos brandos de origem orgânica e sedimentar (amorfos) – isto é, de grande reatividade agronômica. Não ocorrendo isto, a ação do fosfato natural será tão lenta e, praticamente nula.
2. Micropulverização destes fosfatos de forma a aumentar a área de superfície das partículas aumentando assim, ao máximo, o contato entre os ácidos do solo e o fosfato.

A solubilidadedo fósforo contido nos diversos fosfatos  é avaliada por diversos extratores químicos tais como: ácido cítrico, citrato neutro de amônio + água, ácido fórmico. Estes processos apenas estimam a solubilidade do fósoro contido nos diversos fertilizantes do ponto de vista comercial pois no solo ocorrem processos de solubilização ainda desconhecidos. Segundo Macedo, em sua tese, não há relação entre a solubilidade avaliada por extratores químicos e a eficiência agronômica.

Os fosfatos naturais, apesar de serem insolúveis em água, sofrem no solo uma solubilização semelhante àquela que a  indústria utiliza para transformá-los em fosfatos acidulados, solúveis em água. Os fosfatos naturais, no solo, reagem com os ácidos fracos do solo ou são solubilizados  por substâncias ácidas secretadas na zona das raízes.
Além disto, o solo é um meio dinâmico que não serve apenas para segurar as plantas, mas é um meio vivo com propriedades bioquímicas aliadas às da planta.

A Legislação Brasileira determina que a garantia do fósforo deva ser avaliada nos seguintes extratores químicos:

• Fosfatos Acidulados e parcialmente Acidulados – Citrato neutro de amônio (CNA) + água, e os teores solúveis em água e total para os parcialmente acidulados  quando comercializados isoladamente;

• Misturas que contenham fosfatos acidulados ou parcialmente acidulados – citrato neutro e amônio (CNA) + água e facultativo o teor solúvel em água;

• Fosfato Naturais, Fosfatos Naturais Reativos, Escórias, Termofosfatos e Farinha de Ossos – o teor total de fósforo e o teor solúvel em ácido cítrico a 2% relação 1:100; No caso dos Fosfatos Naturais Reativos pode ser indicada o teor de fósforo solúvel em ácido fórmico a 2% relação 1:100 desde que o teor de fósforo solúvel encontrado neste extrator (ácido fórmico) seja igual ou maior que 55%¨do fósforo total do produto.

• Misturas que contenham fosfato natural, fosfato natural reativo, escórias e farinha de ossos -  teor total de fósforo somente em misturas de natureza física pó ou farelado; fósforo solúvel em ácido cítrico 2% na relação 1:100 e teor de fósforo solúvel em água ou informação de que o fósforo é insolúvel em água;

• Misturas que contenham termofosfatos – teor total somente quando em misturas de natureza física pó ou farelada; teor solúvel de fósforo em ácido cítrico a 2% relação 1:100  ou  teor de fósforo solúvel em citrato neutro de amônio (CNA)  +  água.

O fósforo é na forma de P2O5.  No caso do ácido cítrico a 2%,  a relação 1:100, quer dizer 1 grama de produto para 100 ml de ácido.
Um avanço da Legislação de Fertilizantes foi permitir a indicação da solubilidade em ácido fórmico 2% 1:100 para os fosfatos naturais reativos. Isto era uma antiga aspiração dos que defendiam os fosfatos naturais reativos. O mercado comum europeu utiliza o ácido fórmico há anos pois dizem que é o único extrator para diferenciar os fosfatos naturais reativos dos fosfatos de baixa reatividade desde que 55% do seu fósforo total seja solúvel no ácido fórmico 2% 1:100. E estão corretos pois pesquisas realizadas no Brasil confirmam este fato, como vejamos:

                                     
                                                              P2O5 (%)                                   P2O5(%)                                     P2O5(%)

                                                                                           Total     ác.cítrico 2%    ác.fórmico 2%
                                                                                                                     1:100    1:100    
 
Fosfato de Gafsa (Africa)                     30                                                12                                               28,4              
Fosfato da Flórida (EE.UU)                30                                                  7                                                  7,3                        
Fosfato de Olinda (BR)                        28                                                 6                                                  5,7                
Fosfato de Patos de Minas (BR)         25                                                  5                                                  4,8                
Fosfato de Araxá (BR)                         28                                                  5                                                  4,2  
             
Fonte: Catani e Nascimento, e Alcarde

Dos fosfatos naturais acima, o único que poderia ser comercializado no Mercado Comum Europeu seria o fosfato natural de Gafsa – reativo. Os fosfatos naturais brasileiros são de baixa reatividade e não servem para aplicação direta na agricultura mas podem ser utilizados pelas indústrias  onde sofrerão tratamentos químicos que os tornarão solúveis em água.

RETROGRADAÇÃO DO FÓSFORO:

Em solos com altos teores de cálcio (Ca) sob a forma livre de carbonato de cálcio, pela retrogradação, o fósforo do adubo é convertido em fosfato tricálcico que não é aproveitado pela planta. É uma forma semelhante à da rocha fosfatada. Entretanto na retrogradação o fósforo não fica perdido mas torna-se disponível lentamente para as plantas.

FIXAÇÃO  DE  FÓSFORO:

É um problema sério que ocorre nos solos ácidos. O fósforo é fixado pelo ferro e pelo alumínio. O fósforo torna-se indisponível para as plantas. A aplicação de calcário é uma maneira de melhorar esta indisponibilidade. Os íons (OH-) gerados pelo cálcario tomam o lugar dos íons de fósforo fixado liberando-os para a solução do solo. Este é um dos maiores benefícios indiretos da calagem.

A reação com as argilas, principalmente aquelas com relação 1:1 (1 sílica: 1 alumínio) – as caulinitas, é outra maneira de fixação do fósforo.
O oxigênio (aeração) é necessário para o crescimento das plantas e para a absorção dos nutrientes. Também é importante na decomposição da matéria orgânica do solo que é uma das fontes de fósforo. A compactação reduz a aeração e o espaço poroso das raízes. Isto reduz a absorção de fósforo e, consequentemente, afeta o crescimento das plantas. A compactação impede, também, as raízes de ocuparem uma maior área de solo pela penetração, limitando o acesso aos nutrientes.

O aumento da umidade até níveis ótimos faz com que o fósforo fique mais disponível. Entretanto, o excesso de umidade reduz a aeração.
Temperaturas adequadas facilitam a decomposição da matéria orgânica. Mas quando elas são muito altas ou muito baixas, limitam a absorção de fósforo.

O fósforo é absorvido pelas plantas sob a forma de ânions H2PO4- e HPO4²-. A mais comum é a H2PO4-.

No "Os Nutrientes das Plantas" vamos tecer considerações sobre os macronutrientes secundários: cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S).

Gismonti - Eng°. Agrônomo
http://agronomiacomgismonti.blogspot.com

OS NUTRIENTES DAS PLANTAS (3) - o cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S)

CÁLCIO (Ca):

É outro macronutriente importante para as plantas. É um dos chamados macronutrientes secundários junto com o magnésio (Mg) e o enxofre (S).

Os efeitos indiretos do cálcio são tão importantes quanto o seu papel como nutriente. O cálcio promove a redução da acidez do solo, melhora o crescimento das raízes, aumento da atividade microbiana, aumento da disponibilidade de molibdênio (Mo) e de outros nutrientes. O cálcio reduzindo a acidez do solo, diminui a toxidez do alumínio (Al), cobre (Cu) e manganês (Mn). Plantas que apresentam altos teores de cálcio resistem melhor a toxidez destes elementos.

As vagens chochas na soja e as folhas enroladas no milho são sintomas de deficiência de cálcio.



O cálcio existe tanto como cátion como parte insolúvel dos minerais do solo. As formas disponíveis  Ca++ são adsorvidas nos colóides do solo. Pela troca de cátions, elas passam para a solução do solo e depois são absorvidas pelas plantas
O calcário e o gesso são as principais fontes de cálcio e são, também, condicionadores de solos. Além destes, existem fertilizantes que contém na sua composição o cálcio como o superfosfato simples com 18-20% de cálcio, o superfosfato triplo com 12%. outros textos sobre calcário,calagem,nutrientes,análise do solo, fórmulas, etc... podem serm encontrados no blog (http:/agronomiacomgismonti.blogspot.com)

MAGNÉSIO  (Mg):

Outro importante macronutriente secundário. O magnésio apresenta, no solo, teores menores do que o cálcio porque é mais solúvel e sujeito, então, às perdas por lixiviação. O magnésio é fornecido sob a forma de íons Mg++  pelo sistema de troca do solo. O magnésio, como o nitrogênio, é parte da clorofila e sua deficiência aparece com um amarelecimento entre as nervuras das folhas mais velhas.
A forma disponível é a Mg++  adsorvida aos colóides do solo. Pela troca de cátions, o íon  Mg++  passa para a solução do solo.


ENXOFRE  (S):

O enxofre contido na atmosfera é uma das maiores fontes deste nutriente. As deficiência de enxofre são parecidas com as do nitrogênio – folhas de coloração amarelo-pálido. O enxofre faz parte das proteínas e é absorvido em grandes quantidades.
No solo, a maior fonte de enxofre é a matéria orgânica e no íon  (SO4‾) contido no sistema de trocas do solo.
O enxofre é absorvido pelas plantas na forma (SO4‾) altamente sujeita às perdas por lixiviação.

No " Os Nutrientes das Plantas (4) " vamos abordar os micronutrientes essenciais para as plantas: boro (B), cobre (Cu) e o ferro (Fe)
No " Os Nutrientes das Plantas (1) e (2) abordamos sobre os macronutrientes primários, Nitrogênio, Fósforo e Potássio, o trio NPK.

Gismonti - Eng°. Agrônomo
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OS NUTRIENTES DAS PLANTAS (4) - O boro (B), cobre (Cu) e ferro (Fe)

O boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e o zinco (Zn) são os chamados micronutrientes. A planta precisa deles em pequenas quantidades mas são tão importantes que não podem faltar no solo. A sua deficiência compromete o desenvolvimento da planta refletindo-se na queda de produção. Quando um deles ou mais estão deficientes no solo é feita uma adubação foliar ou são incorporadas nas misturas de adubos NPK.

BORO (B):

O boro (B) apresenta uma série de atividades e funções nas plantas:

• Divisão celular;
• Viabilidade dos grãos de polén;
• Formação dos frutos;
• Metabolismo dos carboidratos e da água;
• Síntese das proteínas.

As deficiências de boro, de acordo com as culturas, são:

• Crescimento prejudicado;
• Má formação dos frutos;
• Morte dos brotos terminais;
• Folhas de bordos enrolados;
• Grande queda dos frutos;
• Amarelecimento das nervuras das folhas;
• Queda excessiva de botões florais;
• Fendas através do caule.
O baixo nível de umidade diminui a disponibilidade de boro. A aplicação de boro em excesso pode tornar-se tóxico para as plantas.
A forma de boro absorvida pelas plantas é a  (BO³ ‾).


COBRE (Cu):

O cobre (Cu) é importante na formação da clorofila. O cobre é necessário em pequenas quantidades.
As deficiências de boro aparecem tanto em solos com alto teor de matéria orgânica como em solos arenosos e ácidos, e em solos alcalinos.
Altas temperaturas com alta umidade são desfavoráveis para a liberação de cobre pela matéria orgânica.
As deficiências mais comuns de boro são:

• Morte dos ramos novos;
• Folhas amarelas;
• Folhas torcidas com pontas secas;
• Amarelecimento entre as nervuras;
• Morte das folhas.

O cobre reage com a matéria orgânica do solo formando compostos que não são aproveitáveis pelas plantas de imediato. Por isto, em solos com alto teor de matéria orgânica há necessidade de aplicações anuais. A aplicação excessiva de cobre pode torná-lo tóxico principalmente em solos pobres de matéria orgânica.
O cobre apresenta problemas quando misturados com outros fertilizantes. O sulfato de cobre solúvel reage para formar compostos insolúveis com os fosfatos de amônio de fertilizantes fluidos.
O cobre (Cu) é absorvido nas formas  Cu+  e  Cu++.

FERRO (Fe):

O ferro é importante para a produção de clorofila e para o processo de respiração ou seja transferência de energia.
O amarelecimento entre as nervuras das folhas novas é um sintoma da deficiência de ferro. Uma deficiência severa pode apresentar folhas quase brancas como no sorgo.
Os fertilizantes foliares são a melhor via de aplicação de compostos de ferro.
O ferro é absorvido pelas plantas nas formas  Fe++  e  Fe+++.

No "Os Nutrientes das Plantas (5)" vamos comentar o papel do manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn) na nutrição das plantas.

Gismonti - Eng°. Agronomo
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OS NUTRIENTES DAS PLANTAS (5) - manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn)

MANGANÊS (Mn):

O manganês (Mn) é importante na produção de clorofila, de carboidratos e no metabolismo do nitrogênio. O manganês influencia o nível de ferro na planta. Altos níveis de manganês reduzem os níveis de ferro.
Os sintomas de deficiência de manganês são semelhantes ao do ferro, ou seja, folhas verdes com amarelecimento entre as nervuras.
O manganês é absorvido na forma de  Mn++.

MOLIBDÊNIO (Mo):

O molibdênio tem um papel significativo para a fixação do nitrogênio pelas bactérias, no caso das leguminosas. Atua, também, no metabolismo do nitrogênio na planta.  O sintoma de deficiência é igual àquela do nitrogênio – folhas amareladas.
O excesso de molibdênio pode ser tóxico para os animais e para as sementes em germinação prejudicando a absorção e translocação de ferro pela planta.
O molibdênio é absorvido pela planta na forma de  MoO4‾ ‾.

ZINCO  (Zn):

O zinco é fundamental para a síntese das proteínas, desenvolvimento das partes florais, produção de grãos e sementes e maturação precoce das plantas.
Em solos com baixo teor de zinco, a aplicação de fertilizantes fosfatados nos sulcos ou ao lado das fileiras das plantas induzem a deficiência de zinco. A aplicação dos fosfatados em cobertura total não afetou a disponibilidade do zinco.
O zinco é absorvido pela planta na forma de  Zn++.
Outros textos sobre nutrientes, acidez do solo, calagem, adubação, fertilizantes, fórmulas, etc... são encontrados no blog (http:/agronomiacomgismonti.blogspot.com)

INTERAÇÃO ENTRE OS NUTRIENTES:

Excesso de cobre     - afeta a disponibilidade do ferro

Ferro e manganês     - são antagônicos

Zinco e ferro   - são antagônicos

Potássio e cálcio   - em altas doses diminui a absorção de boro

Aplicação de nitrogênio  - aumenta  a  utilização  e  absorção  de micronutrientes

Aplicação de magnésio  - em altos níveis favorece a absorção de fósforo

Aplicação de fósforo     - em  altos  níveis  favorece  a  absorção  de molibdênio.

Com isto encerramos os cinco (5) capítulos sobre os nutrientes indispensáveis ao crescimento e produção das plantas. Além destes, publicamos dois capítulos sobre  " Fertilizantes " : (1) obtenção dos nitrogenados e potássicos e o (2) referente à obtenção dos adubos fosfatados.
Não deixe de ler as publicações " O que contém um saco de adubo " e a " Como se calcula uma fórmula de fertlizantes " a serem lançadas nos próximos dias.

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