Cutelaria - Como fazer uma faca

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Cutelaria - Como fazer uma faca

Mensagem  Admin em Qua Jul 01, 2015 5:03 pm




Como estou começando a me interessar por essa atividade, vou reunir aqui todas as informações necessárias para fabricação de facas, para minha orientação e de quem quiser  se aventurar  nessa também.

O TÓPICO ESTÁ EM CONSTRUÇÃO E ESTOU USANDO-O PARA DEPÓSITO DE INFORMAÇÕES, POR ISSO A ORDEM DESCONEXA

AÇOS PARA A CUTELARIA


Marcos Soares Ramos Cabete
Ribeirão Preto, Janeiro de 2010
Introdução
No século dezoito e antes dele já se sabia que o carbono era um elemento importante a ser adicionado ao ferro para formar os aços e sabia-se que a quantidade de carbono influenciava na dureza do aço e na retenção do fio no entanto não dominavam a dosagem do carbono a ser dissolvido no aço então usavam o método de colocar o ferro líquido em um cadinho de grafite e mantê-lo aquecido por vários dias para que pudesse absorver o carbono das paredes do mesmo, dependiam da experiência de pessoas que visualmente avaliavam o ponto correto de retirar o aço do cadinho. Era complicado pois depois que o aço esfriava o carbono não era homogêneo variando a cada batelada e com um gradiente de maiores e menores concentrações de carbono no volume do cadinho o que exigia que o aço fosse trabalhado para ser homogeneizado.
Pelo final do século dezoito, na Inglaterra, um relojoeiro descontente com a variação de qualidade dos aços mola que obtinha dos fornecedores resolveu fazer experiências e conseguiu dosar o carbono a ser adicionado a uma porção de ferro fundido criando o primeiro cast steel da história. À partir disto os aços evoluíram tremendamente e a cidade de Sheffield na Inglaterra, onde ocorreu esta criação do cast steel e que já era um grande centro cuteleiro passou a ser o maior centro cuteleiro do mundo com grandes fábricas como a Josefh Rodgers que chegaram a ter mais de 2000 funcionários antes da entrada no século vinte.
Estes aços carbono dominaram por muito tempo, acrescentaram então outros metais em diferentes proporções e durante a primeira grande guerra ao fazerem experiências para melhorar o aço dos canos das armas os produtores de aço observaram que um aço com grande quantidade de cromo não se manchava com facilidade, perceberam que este aço poderia ser útil na cutelaria e o forneceram experimentalmente a duas fabricas surgindo o aço menos manchavel ou o hoje popular aço inoxidável inicialmente este aço ficou com a fama de ser ruim de corte e muito difícil de ser trabalhado. Problemas que estavam equacionados e solucionados por volta de 1920.

O carbono no aço e na cutelaria.
Se tomarmos uma jarra de água pura e a ela acrescentarmos um corante em pequena quantidade, ou uma mistura de pós para suco, ela será modificada em sua totalidade e passará a ser algo diferente da água pura, com novas características.
Desta mesma forma o ferro puro que não se presta a quase nada é modificado por pequenas quantidades de carbono dissolvido em sua estrutura ganhando resistência mecânica importante nas construções civis e de equipamentos industriais e para a cutelaria ganhando dureza e manutenção do corte que são qualidades procuradas por todos que querem um instrumento de corte.
Esta mistura de ferro com carbono passa a chamar-se aço e dependendo do percentual de carbono teremos características diferentes de dureza e outras propriedades.
Para a cutelaria costumamos falar que os aços devem ter no mínimo 0,6% de carbono, abaixo disto existem aços que podem ser usados para ferramentas específicas como espadas que sofrerão grandes golpes e precisam de uma flexibilidade especial.
Os aços em uso hoje no Brasil ficam entre 0,6% e 2,15% de carbono, acima disto existem alguns poucos aços produzidos à partir de pós e que chegam por volta de 2,5% de carbono.

Quanto mais carbono melhor?
Não é bem assim... muitos procuram sempre o aço mais, o aço plus, o hiper duro, acreditando que aços extremamente duros não perderão o corte nunca.
Aços duros costumam também ser quebradiços. Quanto maior a dureza menor a flexibilidade é uma regra que o cuteleiro sempre procura contornar e encontrar meios técnicos de superar e existem inúmeros truques para conseguir melhorar esta relação obtendo aços de alta dureza no fio mas que tenham a flexibilidade adequada.
Outro grande problema do aço extremamente duro é na hora de fazer a reafiação. O leigo não tem uma lixadeira de cinta em casa como os cuteleiros possuem e na maioria das vezes também não possui pedras de afiar cujo abrasivo seja o diamante como muitos profissionais e aficcionados possuem então ocorre o grande drama, uma faca de aço duríssimo perde o corte e o seu proprietário fica na mão pois não consegue afiá-la na hora que mais precisa.
Há que se ter um equilíbrio entre dureza e flexibilidade e um limite de dureza que permita a reafiação com o uso de ferramentas “normais”, ou até mesmo improvisadas conforme o uso da faca ( sobrevivência, pescarias, acampamentos ... ).

Aço carbono ou aço inox?
Aqui entra muito o gosto particular da pessoa que irá usar a peça.
As facas em aço carbono são mais tradicionais, podem assumir acabamentos rústicos ou mesmo contrastes interessantes entre o rústico e o polido espelhado e quando bem polidos estes aços formam uma bela pátina acinzentada durante o uso que acabam por denotar o zelo de seu proprietário pois se logo após o uso a faca é lavada e seca formará uma pátina brilhante e uniforme já se após o uso a faca for abandonada sobre a pia, suja de sal e limão para ser lavada no dia seguinte ela certamente terá pontos de ferrugem e a pátina que irá se formar será toda manchada, o que também é apreciado por alguns. O sabor do alimento cortado por uma faca de aço carbono pode ser diferente do sabor do mesmo alimento cortado por uma de aço inox, segundo os paladares mais requintados, assim para certas iguarias como os sashimis certas culturas recomendam o uso do aço carbono.
O aço inox é um aço menos manchavel e que exige menores cuidados no dia a dia, aceita ficar um tempo sem a limpeza desde que não seja exagerado e conserva seu brilho de cromo por mais tempo.
O inox pode ser a melhor escolha para tarefas que envolvam água salgada como facas de mergulho, não que o aço carbono não desempenhe esta função mesmo porque pode ser utilizado com coberturas protetoras como teflon ou epóxi mas o inox exigirá do usuário menor cuidado com a peça.
Certos países, como o Brasil, exigem legalmente que facas de uso em açougues e restaurantes sejam de inox e com cabos injetados para dificultar a entrada de partículas contaminantes entre a lâmina e o cabo, já outros países não fazem estas exigências podendo o profissional da alimentação usar facas de aço carbono com cabos de madeira e outros materiais já que existem métodos simples de se fazer a higienização de uma faca antes e após o uso.
No Brasil temos poucas opções comerciais de aços inoxidáveis levando alguns cuteleiros a importarem uma variedade maior destes aços para suas peças.

Faca forjada ou somente desbastada?
A forja é uma ferramenta onde pelo uso de calor e pressão o cuteleiro pode modelar o aço conforme sua necessidade e/ou vontade.
Não se consegue, ou fica muito caro e trabalhoso, produzir uma faca integral gaúcha usando apenas o método de desbaste no entanto usando-se a forja o cuteleiro aquece o aço e o modela em uma bigorna com suas marretas dando-lhe o formato desejado.
Em outras situações a faca a ser produzida tem ondulações, curvas, fazendo com que para a sua produção por desbaste o cuteleiro necessite de uma chapa larga de onde recortar a peça. Se esta chapa larga não está disponível o cuteleiro forjador pode lançar mão da forja e partir de uma chapa mais estreita, fazer as curvas necessárias. São casos típicos em que a forja é indispensável.
Facas à partir de pistas ou esferas de rolamento, muito comuns no Brasil só são possíveis por forjamento.
Para certos aços, em especial os aços carbono, o forjamento bem executado melhora as propriedades do mesmo para o corte promovendo um refinamento dos grãos.
E existem os aços de alta liga que pouco ou nada se beneficiam do forjamento e ainda situações em que o uso da forja pode ser um risco para as características técnicas originais do aço. Existem assim cuteleiros que só fazem facas forjadas, cuteleiros que só fazem facas desbastadas e cuteleiros que fazem facas forjadas e facas desbastadas tudo depende da linha de trabalho a que ele se dedica.

A alma do aço.
A alma de uma faca é formada pelos seus tratamentos térmicos que podem incluir o recozimento e a normalização durante o trabalho do cuteleiro sendo o recozimento para amolecer o aço e a normalização para aliviar as tensões acumuladas e que podem traduzir-se em trincas ou deformações na hora do tratamento térmico principal.
O principal tratamento térmico é a tempera, seguida do revenimento. A tempera irá endurecer o aço, é um choque térmico controlado que pode sofrer inúmeras variações conforme o aço e a técnica dominada e escolhida pelo cuteleiro. Pode-se pré aquecer ou não o meio de têmpera que na maioria das vezes é constituído por um óleo fino, pode-se temperar a peça toda igualmente ou apenas parte dela ( tempera seletiva ) o que permite deixar o fio muito duro mas o restante da lâmina flexível, pode-se usar meios de têmpera que irão resfriar a peça em diferentes e importantes velocidades como água, água com sais, óleos diversos, parafinas, etc..
Não cabe aqui discutirmos os detalhes metalúrgicos do que ocorre durante a tempera, basta saber que ela é o principal tratamento térmico de uma faca e se o artesão não a dominar deve entregar a peça a empresas ou outros profissionais pois pode nesta fase destruir todo o trabalho realizado e se domina as técnicas necessárias poderá dar à peça uma bela alma e personalidade.
O revenimento é um aquecimento a temperaturas mais baixas do que a tempera e tem por objetivo eliminar as tensões causadas pela tempera. Se a peça não for adequadamente revenida depois da tempera poderá ficar quebradiça partindo-se com uma simples queda da faca ao solo. Usa-se fazer revenimentos simples duplos ou triplos conforme a necessidade do aço em uso. No revenimento pode-se também calibrar a dureza da lâmina deixando-a adequada para uma fácil reafiação.
O sub-zero é como uma continuidade da têmpera que então não para à temperatura ambiente, serve para promover uma maior transformação das estruturas moles em estruturas duras dentro do aço. Usa-se sub-zero à setenta graus negativos, feito com gelo seco e acetona, e sub-zero à cento e noventa e seis graus negativos, feito com nitrogênio líquido. Este tratamento deve ser subseqüente à tempera, ou seja, deve ser realizado em poucas horas após a têmpera. Não acredite em sub-zero feito semanas após a tempera, ele irá apenas congelar e descongelar a lâmina sem promover qualquer modificação na estrutura do aço que já estará estável. O sub-zero é útil em particular para os aços de alta liga e os inoxidáveis.

Alguns aços usados na cutelaria.
Existem inúmeras nomenclaturas para designar os aços pois além das nomenclaturas técnicas oficiais cada fabricante tem uma forma diferente de identificar suas diferentes ligas e a bagunça é grande, não queira entender tudo de uma vez, vá absorvendo as informações aos poucos, um aço de cada vez.
Os aços “simples”, ou seja, aqueles cujos componentes importantes são apenas ferro e carbono são designados por números que começam pelo algarismo um e cujos algarismos finais definem o percentual de carbono assim:

1020 é um aço simples com 0,2 % carbono. Este aço não se presta à cutelaria mas é muito usado na construção mecânica de maquinas e nos dispositivos das oficinas como bancadas e gabaritos e mesmo para o cuteleiro fazer cabos e soldar nas peças que irá forjar quando não usa tenazes.

1045 tem 0,45% de carbono. Já começa a “pegar tempera” se feita em água. Pode ser uma opção para algumas espadas e facões mas existem outros melhores.

1070 com 0,7% de carbono já começa a ser usado na cutelaria, principalmente em sanduíches com outros aços para formar aços tipo damasco.

1095 com 0,95% de carbono é o aço padrão das limas de boas marcas e dá boas facas para quem gosta de um aço tradicional à moda antiga. Muito bom para fazer facas de época, réplicas de facas antigas, por exemplo. Também muito usado em combinação com outros para fazer aço damasco. É um bom aço para o cuteleiro iniciante praticar o forjamento.

Quando o primeiro número muda ele indica elementos de liga no aço assim os aços que começam com o digito cinco são os que tem um pequeno percentual de cromo em sua liga. Os números finais continuam indicando o percentual de carbono assim:

5160 é um aço com 0,6% de carbono e pequeno percentual de cromo. Muito usado em molas automotivas é sem dúvida o principal aço do cuteleiro forjador iniciante e a preferência de muitos forjadores experientes. É um aço bom de se trabalhar e que apresenta resultados ótimos seja para uma espada seja para facas pequenas como skiners ou facas médias e grandes. Tudo dependerá da alma ( tempera e revenimento ) que receber.

52100 é o aço com 1% de carbono e um pouco de cromo de que são feitos a maioria dos rolamentos. Encontrável em barras redondas e chatas e reciclado de pistas de grandes rolamentos ou esferas de grandes diâmetros tem se transformado em uma grande preferência dos cuteleiros brasileiros, principalmente para o forjamento. É um aço de excelente custo benefício e que apresenta afiação e retenção de fio excelentes.
Outros aços com diferentes nomenclaturas são comumente usados como:

O1 – ( diz-se ó um e não zero um ) com 0,9% de carbono e que tem ainda Mn, Si, Cr e W em sua composição, produz excelentes facas de fácil reafiação e ótimo fio. Também encontrado sob a denominação de VND.

D-2 – já chega à 1,55% de carbono, tem 12% de cromo e ainda Vanádio e Molibdênio em sua composição é um aço mais complexo para o cuteleiro mas produz excelentes facas.

K-100 ou VC-130 é um aço ferramenta com 2% de carbono, difícil de desbastar, exige uma técnica mais apurada em sua têmpera como o pré aquecimento do óleo e um bom revenimento mas produz facas excelentes quando bem trabalhado. Se mal trabalhado pode gerar facas muito quebradiças e de dificílima reafiação doméstica. Normalmente K-100 é a denominação do importado da Alemanha e VC-130 do similar nacional.

D-6 , VC-131, K-107 e Sverker 3 também são aços similares apenas de procedências diferentes e com cerca de 2% de carbono.

Aços inoxidáveis.
Os aços inox comercializados no Brasil são poucos concentrando-se basicamente em dois.

420 – que possui diferentes percentuais de carbono conforme a origem mas sempre por volta de 0,3 a 0,4% e 12% de cromo, é um aço marginalizado por muitos cuteleiros mas se bem trabalhado pode chegar a 54HC de dureza que é uma dureza suficiente para muitas facas de cozinha e outros usos menos severos. É bem resistente à oxidação e de baixo custo.

440C – é seguramente o aço inox mais usado no Brasil, com seus 0,95% de carbono quando temperado adequadamente e passando por um tratamento sub-zero proporciona uma excelente durabilidade do fio bem como uma afiação muito boa. Dependendo da origem pode ter um polimento mais difícil para chegar no espelhado.

Sandvik 12 C 27, VG-10, ATS-34, BG-42, 154-CM, S30V são alguns outros bons aços inox importados usados pelos cuteleiros brasileiros com certa freqüência e aplicados a suas peças.

Existem vários outros aços e os cuteleiros estão sempre experimentando e procurando aços que proporcionem bom fio, fio durável, flexibilidade da lâmina, fácil reafiação e outras qualidades que alidadas à beleza possam ser usados em suas criações.

Outros materiais:
Não é usual mas também encontramos laminas em talonite, cerâmicas de alumina ou zircônia, titânio e outros materiais.

Aços Damasco são aços compostos por caldeamento de outros diferentes aços. O cuteleiro pode fazer obras de arte fantásticas com esta técnica e produzir aços que aliem beleza, flexibilidade e poder de corte excepcionais. Pela complexidade destes aços deixaremos para explicá-los em capitulo à parte.

Lendas.
Em todos os negócios existem os honestos, os profissionais e os que procuram os meios mais fáceis e nem sempre corretos para venderem seus produtos assim existem denominações que procuram levar o interessado a ter uma falsa expectativa quanto ao desempenho da lâmina.

Alguns colocam a marca Solingen em suas facas para dar a impressão de que são feitas na Alemanha com bons aços. Não existe a marca Solingen na Alemanha pois Solingen é uma região produtora de aços. É muito diferente quando o fabricante coloca a sua marca e cita: aço de Solingen.

Outros para evocarem o poder de corte da lâmina colocam: “Aço cirúrgico”. Perguntei a um amigo que é cirurgião plástico sobre o poder de corte dos bisturis de hoje e segundo ele como são descartáveis usam aços ordinários, alguns bisturis são abertos e jogados fora de tão ruins, outros praticamente serram o paciente que felizmente está anestesiado.
Fazer a tempera em noites de luas especiais ou usando sangue, urina, vinho ou outras substâncias esquisitas não melhora a lâmina. São apenas espertezas de pessoas que não sabem fazer corretamente então inventam estas conversas.

Usar meteorito misturado ao aço é outra lenda usada.

Alguns desonestos ainda fazem a faca em inox 420 mais barato e gravam 440C na lâmina por isto é muito importante conhecer a idoneidade de seu fornecedor.

Cortar cebolas e lavar a faca em água quente não estragam o corte. O que estraga o corte é usar a faca sobre superfícies duras como porcelanas e vidros.

Hoje existem inúmeros bons cuteleiros no Brasil. Pessoas honestas trabalhadoras e com grande conhecimento técnico para a produção de obras de arte com a tecnologia necessária e adequada ao bom desempenho como ferramentas de corte. Desconfie quando a conversa for para lados místicos e esotéricos pois uma faca é composta de aço e materiais de empunhadura e fornituras agrupados com técnica e arte, somente isto. Não existe reza ou superstição que possa melhorar uma faca, apenas o conhecimento técnico do artesão e a qualidade dos materiais empregados.
Esperamos tê-lo auxiliado fornecendo informações básicas úteis para que tome uma boa decisão e compre a ferramenta adequada a sua necessidade no entanto se ainda tiver dúvidas entre em contato.

Atenciosamente,
Marcos Cabete
cabete@brascopper.com.br


As facas são construídas para serem ferramentas robustas e duradouras. Entretanto, algumas considerações devem ser feitas sobre os cuidados básicos e a manutenção apropriada para facas ar tesanais.
Embora seja uma ferramenta versátil, cada faca tem características que a tornam mais adequadas para certas funções do que para outras. Para cortar madeira e partir arames, uma lâmina pesada e um fio grosso podem funcionar (como um facão ou machado), mas a mesma lâmina não servirá para filetar pescado e courear. Por outro lado, o fio da faca própria para estes cortes finos será frágil para ser abusada contra madeira ou osso.
Facas artesanais são objetos duráveis. Não há razão para que uma faca artesanal não dure por várias gerações, a menos que seja abusada. Facas são ferramentas e merecem o cuidado e a manutenção adequados.
O aço carbono, se mal cuidado, enferruja. Mesmo bem cuidado, com o uso e o contato com substâncias variadas, ele tende a manchar, formando com o tempo uma pátina acinzentada. Isso é natural do material, ao escolhê-lo você deve estar ciente disso.
A mesma atenção e manutenção dispensados às facas de aço carbono ou damasco devem ser dispensadas às facas de aço inoxidável.
Para manter a oxidação sob controle, e, mais importante, para evitar pontos de ferrugem que possam se instalar e corroer profundamente o aço, observe os seguintes cuidados:
1. Nunca use uma faca como alavanca, martelo ou facão. Utilize uma ferramenta específica, como um martelo, um pé de cabra ou um machado;
2. A parte mais fraca de qualquer faca é a ponta. Infelizmente, esta é sempre a parte mais abusada. Cuide da ponta de sua faca, e o restante da lâmina seguirá bem;
3. Nunca arremesse uma faca. Facas de arremesso são projetadas para este fim (eu não faço este tipo de faca). Arremessar uma faca geralmente implica em danos à mesma;
4. Evite submeter a sua faca a esforços laterais de flexão. Isso pode resultar em quebra da lâmina, especialmente em aços mais duros;
5. Aços carbono e damasco oxidam se não foi feita a manutenção adequada. Para evitar a ferrugem não guarde sua faca dentro da bainha por muito tempo. Os produtos químicos usados no curtimento de couro por vezes reagem com a umidade do ar, o que pode levar à corrosão – mesmo em aços inoxidáveis. Em vez disso, limpe sua faca com óleo fino e enrole-a num pano macio. Se for armazená-la por muito tempo, prefira um óleo mais grosso (como o Bardhal B12) e a enrole a faca em filme de PVC. Coloque a faca na bainha somente quando ela estiver em uso;
6. Não lave uma faca artesanal em máquina de lavar louça. Lave-a à mão, com água morna e sabão, e nunca a deixe de molho na água. Seque imediatamente, não a deixe secar ao tempo;
7. Quando a faca for utilizada regularmente na cozinha, prefira limpá-la com azeite de oliva;
8. Cabos são outro ponto sensível da faca. Enquanto materiais sintéticos e não porosos são mais resistentes, a madeira necessita uma atenção maior. Limpe o cabo regularmente, e aplique uma leve camada de óleo, especialmente nas madeiras. Se for uma faca de cozinha, prefira novamente o azeite de oliva para a limpeza;
9. Inspecione sua faca regularmente. Caso observe algum ponto de ferrugem, utilize palha de aço bem fina (0000) e algum polidor de metais, como “Brasso” ou “Silver”. Em seguida limpe bem e aplique óleo na lâmina;
10. Não confunda oxidação (ferrugem) com a pátina que se forma – especialmente em carbonos e damascos – após o corte de algo ácido. A pátina é normal e contribui para o caráter e a pesonalidade de sua faca. Este tipo de oxidação leve é utilizado há centenas de anos em lâminas para conferir uma resistência maior à corrosão mais agressiva e profunda;
11. Não use óleos à base de silicone nas lâminas e nas bainhas, pois alguns podem causar problemas (oxidação no aço e danos ao couro);
12. Não deixe facas e bainhas expostas diretamente ao sol ou a fontes de calor elevado. O calor e a luz ultravioleta do sol dissolvem os óleos protetores utilizados no trabalho do couro, além de enfraquecerem as ligações adesivas utilizadas na montagem dos cabos e desbotarem a madeira. A exposição prolongada ao sol direto danifica o couro, a madeira e mesmo os materiais sintéticos;
13. Não use nenhum tipo de óleo mineral ou derivados de petróleo nas bainhas: isso fará com que o couro amoleça, enfraquecendo sua função protetora, suavizando colas, selantes e tintas, e danificando sua bainha à longo prazo;
14. Algumas lâminas de aço carbono e damasco recebem um banho em percloreto de ferro, um sal que oxida levemente o aço deixando uma cor acinzentada na peça. Este acabamento é usado para proteger a lâmina, e mesmo como parte do acabamento “acetinado” em alguns modelos. Este acabamento é um inibidor da ferrugem, mas não é preventivo: faça a manutenção regular em suas lâminas;
15. Mantenha a sua faca sempre afiada, pois uma faca cega requer uma força maior para o corte, o que aumenta o risco de acidentes.

FONTE: CUTELARIA ARTESANAL







TABELA DE CONVERSÃO DE DUREZA DOS AÇOS

FONTE: MITSUBISHI CARBIDE


TABELA DE ENSAIOS PARA AÇOS SAE



FONTE: INFORGEL


TABELA DE CORES DE REVENIMENTO




TABELA DE CORES DE TRATAMENTO TÉRMICO



FONTE: MARWAL

Outra



TABELA DE EQUIVALÊNCIA DA ESCALA DE DUREZA



FONTE: MARWAL


Facas Proíbidas – Quais são?
Publicado por armabranca a 10 Abr 2009


Sobre a matéria legal nunca é demais reflectir sobre ela e focar determinados aspectos que, infelizmente, não fazem parte do conhecimento geral.

Como está já discutido no artigo que aborda a Legislação sobre Facas, existe uma série de artigos que são, independentemente do comprimento da lâmina, consideradas armas proíbidas. A razão pela qual é simples: todos estes engenhos, mediante as suas peculiares características, não têm de forma assumida uma segunda utilização para além da própria agressão.

Para clarificar as dúvidas, segue então a lista pormenorizada das armas brancas automáticamente excluídas pelo Estado Português como ferramenta de venda ou utilização livre/condicionada:



Armas brancas dissimuladas sob a forma de outro objecto

São todos aqueles dispositivos munidos de uma lâmina que (e aqui aplica-se o bom senso) não se assemelham com uma faca, mascarando-se de objectos do quotidiano (um telemóvel, uma caneta ou uma bengala, por exemplo). Aqui também poderão figurar as canetas de defesa (como é exemplo a Cold Steel Shark – embora seja discutível).



Facas de Abertura Automática

As facas com sistema automático de abertura vulgo ponta-e-mola, são proíbidas seja com sistema de abertura lateral ou frontal. Hoje em dia este conceito é um pouco retrógrado uma vez que muitas facas manuais são extremamente rápidas de serem abertas graças aos vários sistemas de alavanca e abertura assistida. Contudo, a lei é clara e é para ser cumprida. Além do mais esta faca pode ocultar totalmente a lâmina uma vez fechada, o que é uma das razões que torna este tipo de facas de venda ilegal.

! Actualização Importante: Segundo a legislação à data, as facas de abertura automática são permitidas desde que tenham lâmina de comprimento inferior ou igual a 10 cm. Contudo esta situação está prestes a ser alterada, resultando da proíbição total destas facas, na recente revisão à lei das armas, aprovada em Março de 2009 e que entrará em vigor, possivelmente, dentro em breve.

Estiletes

Aqui a lei é um pouco ambígua pois o conceito de estilete é muito vasto. Há quem considere como estilete um bisturi ou um X-Acto (e recentemente não ouvi falar de rusgas da PSP a Hospitais nem ao Staples) mas se formos ao cerne da palavra (e ao que o legislador quis dizer) poderemos extraír que o estilete é uma lâmina fina, longa e que não tem outra utilidade senão espetar. Mas, mais uma vez é tudo discutível, serão as bandarilhas dos toureiros estiletes ou um estilete é algo mais pequeno?

Facas de Borboleta

Estas são bem conhecidas. Caracterizam-se pelo facto de terem o cabo/punho dividido em duas partes que com movimento rápido rodam sobre dois eixos revelando uma lâmina (geralmente de duplo fio) com menor ou igual comprimento que os mesmos. Muito famosas nos anos 50 mas são hoje proíbidas em muitos países pelas mesmas razões da ponta-e-mola: lâmina oculta e rapidez de abertura.

Facas de Arremesso

São as ditas facas equilibradas usadas pelos fakirs no circo. É discutível se estas facas não poderiam ver a excepção à proíbição mediante justificação desportiva – afinal pouco difere da actividade de arco e flecha, e com o declínio das actividades circences bem que dava uma ajuda à arte. Estas facas têm um aspecto muito peculiar sendo que são geralmente desprovidas de cabo, resumindo-se a peças de metal afiado feito especificamente para ser atirado e espetado num alvo à distância. Podem contar com contra-pesos ajustáveis para calibrar o arremesso.

Estrelas de Lançar

Um derivado das facas de arremesso mas com uma forma muito mais peculiar. De origem oriental e imortalizadas no nosso imaginário pelos filmes de ninjas. São pedaços de metal recortados de forma circular com dentes ou saliências cortadas no disco de forma angularmente regular. São usadas para atirar e têm como único propósito de concepção o assassinato silencioso. São, portanto, proíbidas.

Boxers

Estas peças já fogem um pouco do domínio das facas sendo que se apresentam como um auxiliar da porrada. São geralmente feitos em metal e destinam-se a aumentar o poder de um murro, protegendo o agressor e prejudicando considerávelmente o alvo. Vulgarmente designados como “soqueiras”. Como não têm qualquer outra utilização são armas (brancas) proíbidas.

E assim fica concluída a lista para que todos possamos compreender melhor os limites que a legislação Portuguesa impõe à compra, venda e detenção (seja para que fim for) de facas e canivetes.

FONTE: ARMA BRANCA

Anexos
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