Maconha não faz mal à saúde?

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Maconha não faz mal à saúde?

Mensagem  Admin em Dom Mar 10, 2013 11:36 am

NÃO SE PODE ACONSELHAR NINGUÉM A SE ORIENTAR PELAS EXCEÇÕES AINDA MAIS QUANDO O QUE ATRAI SÃO PODRES DELÍCIAS







MACONHA NÃO FAZ MAL A SAÚDE?



Fumar maconha pura é tão - ou mais prejudicial aos pulmões quanto o tabaco, mostra um estudo da Fundação Britânica do Pulmão.

O estudo concluiu que três cigarros de maconha podem causar danos correspondentes a 20 cigarros convencionais.

Dados preliminares do estudo já haviam sido revelados anteriormente, mas apenas agora os dados conclusivos foram apresentados.

De acordo com a fundação, a situação piora ainda mais quando se mistura maconha com tabaco no mesmo cigarro.

Informação

O estudo mostra que cigarros de maconha contêm 50% a mais de substâncias que causam câncer do que os de tabaco.

O doutor Mark Britton, presidente da fundação, disse que as estatísticas devem "surpreender muitas pessoas, especialmente aqueles que preferem fumar maconha em vez de cigarro por acreditar que é menos prejudicial à saúde".

"É vital que as pessoas estejam completamente informadas sobre os perigos (de fumar maconha) para que possam tomar suas decisões de forma consciente."

Britton enfatizou, porém, que o estudo não é "sobre questões morais" em relação ao fumo. "Apenas queremos que as pessoas saibam dos riscos respiratórios."

Pesquisas feitas na Grã-Bretanha neste ano mostram que 79% das crianças do país acreditam que a maconha é segura para a saúde.

E apenas 2% das crianças pesquisadas tinham conhecimento sobre os riscos envolvidos no consumo da droga.

Perigo maior

O estudo britânico também mostrou que os riscos de fumar maconha aumentou bastante desde a década de 60.

O motivo é o aumento da concentração da substância conhecida pela sigla THC, o principal componente químico da maconha.

No cérebro, o THC é o responsável pela ação em receptores neuronais que ajudam a regular as sensações de prazer, a memória, a concentração, o pensamento, a percepção de tempo e a coordenação dos movimentos.

A Fundação Britânica do Pulmão quer que o governo da Grã-Bretanha promova a educação sobre os riscos para a saúde do ato de fumar a maconha.




1 – Introdução

Muito se fala em drogas, mas como saber o que é droga? Tudo depende do objetivo a qual se deseja atingir e as formas de uso. Seria a maconha um mal absoluto ou poderia ser usada para fins benéficos como remédio ou como matéria prima para a indústria textil? Muito tem que se discutir sobre isso. Não podemos agir precipitadamente, mas sabemos de antemão que os efeitos da planta no organismo são avassaladores. Apresentamos aqui uma abordagem técnica da planta e uma análise social do seu uso, bem como seus efeitos no homem.



Canabis Sativa


Descrição da Planta

Nome: Maconha
Origem do Nome:
do Quimbundo* MA’KAÑA, que significa erva santa
Nome Cientifico: Cannabis sativa ( lia-se: kânabis sativa)
Família: Canabáceas
Origem: Àsia Central ou Oriente Próximo
Formas de Uso:
Pode ser usada como fumo ou por ingestão
Principio ativo:
THC (Tetrahidrocanabiol)
Descrição:
Planta arbustiva, possui folhas em forma serrilhada e verdes.
Pode atingir ate 2,50 metros de altura.
Status Legal: proibido uso, trafego e comércio.

* Quimbundo: língua do grupo Banto, falada em Angola.


Histórico

A maconha (palavra de origem angolana) é uma das drogas extraídas de plantas mais antigas, os registros mais remotos datam de 2723 a.C., quando foi mencionada na Farmacopéia chinesa. Outras informações históricas evidenciam a existência da maconha em uma cerâmica com marcas da fibra do vegetal encontrada há mais ou menos 4.000 a.C. no norte da China central. Difundiu-se gradualmente para a Índia, Oriente médio, chegando a Europa somente nos fins do século XVIII e início do XIX, passando pelo norte da África e atingindo as Américas. Até então, era utilizada principalmente por suas propriedades têxteis e medicinais. Os romanos valorizam a planta principalmente por causa das resistentes cordas e velas para navio produzidas com sua fibra.

Após a viagem de Vasco da Gama, navegadores portugueses introduziram na África e na Ásia o tabaco. Em troca, seus navios trouxeram escravos acostumados a fumar maconha para o Brasil. Aqui ela também foi utilizada para produção de fibras, na mesma época, nos Estados Unidos, George Washington, Thomas Jefferson e fazendeiros importavam da Europa a semente para o plantio. As carroças dos pioneiros na conquista do oeste americano eram protegidas com lonas feitas a partir das fibras da maconha. Navios portugueses, espanhóis, holandeses, franceses e ingleses dependia tanto das velas e cordas de maconha que seus governos espalharam sementes da planta por todo o planeta.

Até o século XX a maconha era mais famosa nas Américas como fibra têxtil e como planta medicinal. De meados do século XIX até os anos 40 a maconha constava na farmacopéia oficial de vários países. Remédios a base de maconha eram disponíveis em qualquer farmácia. No ocidente a maconha começou a ser usada como psicotrópico por escritores e artistas no século XIX, como os poetas franceses Rimbaud e Baudelaire, mas sua utilização restringia-se a pequenos círculos boêmios das grandes cidades e as colônias de imigrantes asiáticos e africanos.

Em meados do século XX, porém, os cientistas identificaram os efeitos colaterais da maconha e seu uso acabou restringido ou excluído nas farmacopéias, sendo proibido por lei em vários países. O consumo da maconha, entretanto, passou a ser disseminado no mundo nos anos 60. A difusão do Rock e de Woodstock, bem como o avanço hippie em muito colaborou para que a maconha se espalhasse pelos Estados Unidos e desde este país fosse dissiminada para o mundo todo.

Seu uso era freqüente entre as classes mais baixas e mais tarde foi difundido entre os jovens de todas as classes. Na década de 1960 a maconha era usada em shows de rock, juntamente com outras drogas e atingiu grande abrangência entre os jovens, sendo inclusive usada por soldados americanos na Guerra do Vietnã. No Brasil a droga é usada principalmente no pela população jovem de classe baixa, média e alta. Nos últimos anos as estatísticas mostram que a maconha está sempre entre as drogas ilícitas mais consumidas pelos jovens estudantes colegiais e universitários.


Forma de Uso e Outros Narcóticos Derivados da Maconha

A maconha é usada como fumo, das folhas e algumas vezes de flores da planta.Também o haxixe, uma outra forma de narcótico é proveniente da maconha com a diferença de que utiliza a resina que cobre as flores e as folhas da parte superior da planta. É um extrato, e por isso o haxixe é muitas vezes mais potente que a maconha comum.

Há algum tempo surgiu uma nova variedade de maconha, chamada "skunk" ou "supermaconha". O skunk é produzido em laboratório com variedades de cânhamo cultivados no Egito, Afeganistão e Marrocos, apresentando um teor de THC ou seja tetrahidrocanabiol, o composto químico responsável princípio tóxico ativo da maconha, de até 33%. Seus efeitos são dez vezes mais potentes que os da maconha comum. No Brasil, o consumo do skunk está crescendo.

Haxixe: droga psicoativa constituída pela resina viscosa e dourada que cobre as folhas da maconha. O efeito máximo da haxixe ocorre 30 minutos após sua absorção, mascado ou fumado.

Skunk: droga psicoativa, derivada da maconha, produzida em laboratório. Contém altas concentrações de THC e efeitos que chegam ser até 10 vezes mais fortes que a maconha comum

Princípio Ativo




São mais de 60 substâncias que se encontram presentes na maconha, chamadas pelo nome genérico de canabióides. O tetrahidrocanabiol é a substância preponderante e o principal princípio ativo da maconha. Também é conhecido o delta 9 tetrahidrocanabiol. Sua concentração pode se de 1% a 5% na maconha comum e de até 33% no skunk.

Como a Maconha Age no Organismo




Onde a droga age


1-Cortéx Frontal.
Controla o comportamento.
A euforia tem origem aqui.

2-Núcleo Acumbens
pode sediar o mecanismo
que causa dependência.

3-Hipocampo
É o setor que guarda informações.
Se atingido perde-se a memória.

4-Cerebelo
Responde às alterações
da coordenação motora.

Quando um psicotrópico chega ao cérebro, estimula a liberação de uma dose extra de um neurotransmissor, provocando as sensações de prazer. À medida que o uso vai se prolongando, o organismo do usuário tenta se ajustar a esse hábito. O cérebro adapta seu próprio metabolismo para absorver os efeitos da droga. Cria-se, assim, uma tolerância ao tóxico. Desse modo, uma dose que normalmente faria um estrago enorme torna-se em pouco tempo inócua. O usuário procura a mesma sensação das doses anteriores e não acha.

Por isso, acaba aumentando a dose, para uma dose maior para obter o mesmo efeito. A dependência vai assim se agravando continuamente. Como o psicotrópico imita a ação dos neurotransmissores, o cérebro deixa de produzi-los. A droga se integra ao funcionamento normal do órgão. E quando falta o “impostor” químico, o sistema nervoso fica abalado. É o que popularmente se conhece como a síndrome da abstinência da droga.

Os neurotransmissores são substâncias químicas capazes de transmitir um sinal elétrico de um neurônio a outro. Assemelham-se a um eletrólito de bateria, o qual permite que a corrente elétrica circule pelas placas. Depois de retransmitir o sinal elétrico o neurotransmissor normalmente é reabsorvido, para não ficar estimulando indefinidamente os outros neurônios, permitindo que eles possam reagir rapidamente a novas exigências.

As drogas que provocam euforia, como a cocaína, impedem essa reabsorção, de modo que o cérebro fica super-ativado. Não é difícil perceber o estrago que essa intervenção antinatural pode provocar, quando se sabe que num minuto ocorrem trilhões de trocas neuroquímicas no cérebro. Não é sem razão que muitos especialistas em drogas chamam esse estado de "prazer espúrio"... Os especialistas costumam dividir as drogas em dois tipos: leves e pesadas.

Drogas leves são as que causam "dependência psíquica", que significa o desejo irrefreável de consumir a droga. Drogas pesadas são aquelas que além da dependência psíquica causam também a física, ou seja, a sua falta acarreta uma síndrome de abstinência tão violenta, com sintomas físicos tão dolorosos, que o viciado procura desesperadamente pela droga a fim de aliviar a ânsia de consumo. Por essa razão, fumo e álcool podem ser considerados como drogas pesadas, apesar de serem socialmente aceitas.

Efeitos no organismo

Ao chegar na corrente sangüínea, a maconha passa por todos os tecidos do organismo. As sensações experimentadas variam com o teor de Delta 9THC das preparações (que varia de acordo com a parte da planta utilizada e o modo como são preparadas), via de introdução e absorção do Delta 9THC. Os efeitos variam muito de indivíduo para indivíduo e dependem da personalidade e mesmo do grau de experiência do indivíduo no uso da droga.

Os efeitos são os mais diversos possíveis, a seguir listados, estão alguns efeitos e males causados pelo uso da maconha:

A curto prazo, os efeitos comportamentais típicos são:

1. período inicial de euforia (sensação de bem-estar e felicidade, seguido de relaxamento e sonolência).
2. quando em grupo, ocorrem risos espontâneos
(risos e gritos imoderados como reação a um estímulo verbal qualquer).
3. perda da definição de tempo e espaço: o tempo passa mais lentamente (um minuto pode parecer uma hora ou mais), e as distâncias são calculadas muito maiores do que realmente são (um túnel de 10 metros de comprimento.
Pôr exemplo pode parecer ter 50 ou 100 metros).

4. coordenação motora diminuída: perda do equilíbrio e estabilidade postular.
5. alteração da memória recente.
6. falha nas funções intelectuais e cognitivas.
7. maior fluxo de idéias
8. pensamento mais rápido que a capacidade de falar,
dificultando a comunicação oral, a concentração, o aprendizado e o desenvolvimento intelectual.
9. idéias confusas.
10. aumento da freqüência cardíaca (taquicardia).
11. hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos).
12. aumento do apetite (especialmente por doces) com secura na boca e garganta.

Doses mais altas de podem levar a:

1. alucinações, ilusões e paranóias.
2. pensamentos confusos e desorganizados.
3. despersonalização.
4. ansiedade e angústia que podem levar ao pânico.
5. sensação de extremidades pesadas.
6. medo da morte.
7. incapacidade para o ato sexual (até impotência).
A longo prazo, a extensão dos danos, bem caracterizados,
se restringem ao sistema pulmonar e cardiovascular.
1. maior risco de desenvolver câncer de pulmão.
2. diminuição das defesas, facilitando infecções.
3. dor de garganta e tosse crônica.
4. aumenta os riscos de isquemia cardíaca.
5. percepção do batimento cardíaco.

Observação:
A mulher que amamenta passa as toxinas da droga para a criança através do leite materno.

Dados Estatísticos sobre a Maconha

O consumo da maconha começou a subir na década de 1960-70 chegou ao ápice em 1979 depois caiu, voltando a avançar em 1994. Nos EUA em 1992, 4% da população tragava a maconha. Avaliações feitas pela OMS, indica que em 1997 o número de usuários de maconha era de 140 milhões de pessoas. A OMS afirma ainda que o uso da maconha tende a aumentar.

Drogas em Escolas do Rio de Janeiro - RJ
(pesquisa com 3139 alunos de 1º e 2º grau, entre 1997 e 1998)

Droga                 Idade de Iniciação (anos) Usam com freqüencia (%) Consumo entre universitários (%)
Solventes/inalantes       12,7                                 2,8                                             18,0
Maconha                        13,8                                 2,0                                             28,0
Cocaína                        13,6                                 0,6                                              3,0

Fonte: Revista GALILEU Nº 08, Editora Globo Ciência 1999


Recuperação de Viciados

A recuperação de viciados da maconha não se difere muito da forma de recuperação de outros viciados. Acontece ainda que geralmente um viciado em maconha, que é uma droga de poder viciativo moderado, também é viciado em outras drogas como a cocaína e álcool.

A dependência é considerada como doença, e cada caso é um caso único a ser tratado. As atividades de recuperação de viciados concentram-se em clinicas especializadas, onde o viciado não tem contato com a droga. Em clínicas especializadas os doentes passam por uma análise histórica e depois são tratados e acompanhados por psicólogos, psiquiatras e médicos. Há também as clínicas localizadas no campo em forma de comunidades. Ali os viciados estão em contato com outros viciados com o mesmo problema.

Os viciados tem acompanhamento médico e religioso, e se curam conforme eles mesmo dizem, pela força da fé. Nas clínicas campestres pessoas em recuperação passam por aconselhamento e são instruídos a trabalhar em atividades agrícolas.

Muitos trabalhos dessa forma tem conseguido bons resultados, como por exemplo a comunidade Betânia em Santa Catarina e a comunidade do Padre Aroldo. Há também os que procuram em igrejas evangélicas de diferentes denominações para se livrar do vício e obtém resultados positivos.

Conclusão

É impossível dizer que a maconha não faz mal. É um vício, considerado por muitos como doença. Quem está vendo de fora pouco sabe sobre ela. Quem já viveu uma experiência com maconha tem outra visão. Por melhor que seja o prazer causado pela inalação de um cigarro feito de maconha ele com certeza não trará bons resultados no futuro.

A maconha chega ate o usuário pelo traficante, que repassa a droga a um conhecido, que por sua vez oferece a um não viciado. Ai está a dinâmica de iniciação do novo viciado, em geral fumante. São inúmeras as consequências maléficas do uso da maconha, que vão desde baixo rendimento nos estudos até alterações hormonais. O vício sempre é mais forte e pensando no prazer ou por vício o usuário ser esquece das consequências a longo prazo e reincide novamente.

Então é correr atrás do prejuizo, tentar se livrar do vício da maconha, que geralmente leva a outros vícios, pois onde há maconha quase sempre também há outras drogas. Do ponto de vista técnico, a maconha age no cérebro alterando sua função, causando várias conseqüências. Há portanto muita coisa a dizer e se fazer para se minimizar o uso da maconha. Devemos começar por entender como ela age e seus efeitos.Instruir as novas gerações para que não caiam no vicio.


Fonte: http://www.areaseg.com/toxicos/maconha.html

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Psiquiatria, outros olhares


Fumar Maconha Faz Mal?
Dr. Antonio Mourão Cavalcante (*)


Mais uma vez a imprensa é invadida pela polêmica sobre o uso da maconha. Assunto recorrente. Vai e volta. As autoridades parecem atônitas, os pais perplexos e a sociedade confusa. Nem é para menos!
A reflexão deve ter pontos de referência, para que não se torne um enfadonho desfilar de preconceitos e palpites.

Do ponto de vista médico, claro que maconha faz mal, sobretudo quando usada de forma excessiva, imoderada. Não causa dependência física. E a pessoa não fica violenta como acreditam os que desejam simplesmente assombrar ou assombrar-se. Dá no mesmo! É, obviamente, uma agressão ao sistema respiratório, como o cigarro.

Do ponto de vista psicológico, é uma droga que causa relaxamento. Deixa o usuário lombrado, meio desligado, sem iniciativas. Como eles dizem, bundão! Sem graça, ou melhor, com um riso despropositado. Alegrão, meio sem nexo.

Bergeret (1) assinala: "Cronologicamente, a sintomatologia desenrola-se segundo quatro períodos: excitação, alucinações e instabilidade mental, êxtase e repouso, sono que conclui a embriaguez".(...) "Não podemos mais afirmar, atualmente, que as propriedades farmacológicas da cannabis favorecem a agressividade. Numerosas experiências procuram provar que a cannabis reduz os desempenhos psicomotores e bloqueiam a eficiência da memória e da atenção.(...) "A cannabis provoca também um fenômeno de tolerância; a controvérsia, entretanto, persiste a respeito da dependência física; na clínica comum, nunca é constatada. No entanto, a cannabis provoca uma dependência psíquica, observada em indivíduos com forte apetência toxicofílica, e não devemos duvidar da existência de autênticas toxicomanias em relação à cannabis."

Para os adolescentes a coisa fica mais complicada porque a maconha é desmotivadora. Isto é, ataca aquilo que o jovem tem de mais sublime: sua impaciência. Sua garra. Sua vontade de ser diferente e de crescer, abrindo espaços com o próprio esforço. Fica desinteressado pelas coisas objetivas do mundo. Meio alegre. Uma alegria boba, porque falsa. Faz pena! Como se assumissem uma forma de alienação propositada.

Nesse ritmo, vai apresentar dificuldades em acompanhar a vida "normal". Não quer mais saber de estudos, desinteressa-se pela aparência pessoal, meio sem pique para a organização e os deveres elementares da vida...
Atenção! Estou falando do uso sistemático, repetitivo, abusivo.
Claro que essa situação traduz/revela uma crise. Melhor explicando, pode não ser apenas a droga, mas uma outra dificuldade. A droga é, quase sempre, um sintoma. O uso revela um mal-estar, expresso dessa forma.
Daí porque, o mais significativo não está no combate desesperado e – algo histérico – àquele que se droga, como se fosse um marginal. Um bicho perigoso. Um criminoso contumaz. Nada disso! O uso da droga deve ser entendido como um enigma e um apelo.

Olievenstein (2) diz que: "É na repetição e na busca que, ao longo de sua história, o toxicômano inscreve em sua memória a imagem idealizada e superestimada do prazer, e a decepção com tudo o que encontra em seu caminho é o que o leva a transgredir sempre mais.."
Na perspectiva social, não seria pertinente inquietar-se? Por que esse uso virou moda e se propaga com tanta insistência e intensidade?
Não existiria um profundo mal estar entre os jovens de hoje? Qual a perspectiva que lhes asseguramos para o futuro?
Não se pode restringir essa discussão apenas aos malefícios da droga. A questão central passa pela noção de limite e transgressão. Afinal, quais são as normas que estabelecemos para os nossos jovens hoje? O que é o basta? Será que podem tudo? Será que ficam assim, totalmente soltos, impunes? Ao sabor de qualquer desejo?...

E, da parte dos jovens a busca nem é tanto o gosto da droga - seu princípio ativo e efeitos - mas a oportunidade de transgredir. De mostrar que são capazes de medir forças com quem é autoridade e detém o poder. Logo, se aceitamos o libera geral, estaremos inaugurando a grave perplexidade de filhos que não viveram a experiência de ter pais, nem lhes foi ditado rumo ou norma.

A questão central da maconha não é insistir sobre o thc (tetrahidrocanabinol, substância ativa), mas aprofundar a compreensão sobre a noção de limite e transgressão.

Na dinâmica familiar e social o pai é o símbolo da autoridade. Ele lembra a unidade, o projeto comum, o caminho. Um pai é sempre necessário. Indispensável. Curiosamente, quando nossa sociedade mais precisa, estamos órfãos. Cadê o pai?
No plano mais íntimo da família o pai também está desautorizado. Um dos elementos psicodinâmicos mais evidente é a falência do pai. Já não manda grande coisa. Os filhos ficaram respondões e desafiam acintosamente essa figura histórica. Alguns mais saudosistas exclamam: já não se faz pai como antigamente...

Nesse clima de tensão não é raro que deixem a família. Outros, numa atitude mais paroxística, tentam impor uma autoridade arbitrária e estapafúrdia. Tanto o vazio da ausência e descompromisso quanto a desesperada insistência em manter um padrão que ninguém obedece senão em caricatura, viceja um campo fértil para novas experiências, dentre elas o uso das drogas.

A escola está igualmente despreparada para impor normas. No mais das circunstâncias ensino virou negócio e o que importa é construir uma imagem de sucesso – tipo o êxito no vestibular – do que a formação equilibrada do adolescente.

É desesperador para a juventude saber que os seus pais são uns frouxos!...

Bibliografia –
Bergeret, J...(et.al.) – Toxicomanias: uma visão multidisciplinar, Porto Alegre, Artes Médicas, 1991;
Olievenstein, C. – A Clínica do Toxicômano, Porto Alegre, Artes Médicas, 1990.

(*) Antonio Mourão Cavalcante é médico psiquiatra e antropólogo. Professor Titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Autor do livro: DROGAS, ESSE BARATO SAI CARO (Ed. Record). E-mail mourao@ufc.br.
http://www.polbr.med.br/ano01/mour1201.php

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17/11/2006



G1
“Uma vez eu disse a um jornal norte-americano que a maconha era uma das substâncias mais seguras que existem. Essa frase gerou o maior barulho e eu perdi minha paz por algum tempo. Mas mantenho a afirmação: a maconha é uma das substâncias mais seguras que existem”. Foi com essa convicção que o neurocientista e farmacologista Daniele Piomelli, considerado um dos maiores especialistas do mundo no assunto, defendeu o uso medicinal da polêmica erva.

Piomelli, da Universidade da Califórnia em Irvine, não é nenhum defensor da legalização da maconha. “Isso é uma decisão que cabe à sociedade tomar. Nós, cientistas, só fornecemos os fatos”, diz ele. Tampouco ignora os malefícios da droga. “Fumar maconha, como fumar qualquer cigarro, aumenta o risco de câncer de pulmão, de câncer de boca, entre vários outros. Isso não faz bem e uma pessoa sensata evitaria”, afirma. “Há outro problema: o vício. Alguém que fuma maconha por um certo tempo e em certas quantidades acaba desenvolvendo uma compulsão pela droga. Acaba tendo aquela vontade avassaladora de fumar de novo”, diz ele.

No entanto, o cientista acredita que a droga tem potencial para tratar pacientes de doenças graves, como câncer e Aids. “Seria imoral, antiético e desumano não fornecer esse alívio para pessoas que estão sofrendo, por motivos que vão além da medicina e que a ciência não fundamenta”, afirma. “Como você vai dizer para alguém com câncer terminal que ele não pode fumar maconha para aliviar sua dor?”

Piomelli espera que as pesquisas científicas na área avancem, sem serem atravancadas por questões políticas e sociais. “Chegou a hora de irmos além da maconha”, diz ele. “Quando tivermos um remédio melhor, eficiente, sem efeitos indesejados, que faça todo o bem que a maconha faz sem trazer todo o mal que ela causa, ninguém vai nem mais lembrar que maconha existe.”

Para conhecer mais sobre os usos terapêuticos da erva e sobre os efeitos da maconha no organismo, leia abaixo a íntegra da entrevista que o cientista deu ao G1.


G1 - O que se sabe sobre os efeitos da maconha no cérebro?

Daniele Piomelli - Nós sabemos, e já sabemos há alguns anos, que existem uma série de compostos no nosso próprio cérebro que agem como uma “maconha natural”. Por isso, são chamados de endocanabinóides, a partir do nome científico da maconha, Cannabis sativa. Normalmente, eles regulam coisas como o sono e a alimentação – e praticamente todos os processos do corpo humano. Quando alguém fuma maconha, esses compostos são “superativados”, passam a funcionar acima do normal, bloqueiam as sensações de dor e dão prazer.

G1 - Existem possíveis usos terapêuticos para a maconha?

Piomelli - Bom, quanto às propriedades medicinais, nós sabemos que a maconha é usada como um poderoso alívio para a dor crônica -- e não há nada muito eficiente contra isso até agora.

Pessoas com esclerose múltipla também têm benefícios ao fumar maconha, diversas pesquisas já mostraram isso. Ela também ajuda no combate a diversos outros problemas, como estresse, pressão alta, ansiedade, insônia, perda de apetite, cólicas menstruais e problemas intestinais.

Agora, a maconha deveria ser usada como remédio? Aí, depende. É preciso fumar maconha para obter seus efeitos e isso faz com que a pessoa consuma uma série de compostos químicos tóxicos e cancerígenos. E isso não faz bem.

Há outro problema: o vício. Há alguns anos, acreditávamos que a maconha não viciava. Hoje, sabemos que não é bem assim. A maconha é capaz, sim, de viciar -- ou seja, alguém que fuma maconha por um certo tempo e em certas quantidades, acaba desenvolvendo uma compulsão pela droga. Acaba tendo aquela vontade avassaladora de fumar de novo. O vício existe. É muito mais fraco do que o gerado pela cocaína e pela heroína, e mais fraco que o gerado pela nicotina. Mas existe.

G1 - Os efeitos negativos da maconha, portanto, não compensariam seus benefícios médicos?

Piomelli - Depende do caso. Se estamos falando de uma pessoa com câncer, por exemplo, ou Aids, ou algum outro problema grave de saúde, na hora de somar os prós e os contras, o alívio da dor que a maconha proporciona, compensa.

Mas se estamos falando de pessoas saudáveis, usando maconha para curar dores de cabeça, é uma irresponsabilidade muito grande. Há métodos mais eficazes, que não trazem os efeitos colaterais indesejados.

G1 - Então, na sua opinião, a maconha deveria, ou poderia, ser prescrita por médicos?

Piomelli - Sim. Eu acredito, e essa é minha opinião pessoal, que no caso de pacientes com câncer, por exemplo, seria imoral, antiético e desumano não fornecer esse alívio para pessoas que estão sofrendo, por motivos que vão além da medicina e que a ciência não fundamenta. Como você vai dizer para alguém com câncer terminal que ele não pode fumar maconha para aliviar sua dor?

Agora, se um paciente entrar no meu consultório pedindo para eu prescrever maconha para curar sua dor de cabeça, eu vou perguntar se ele está maluco e mandar ele tomar uma aspirina.

G1 - O senhor disse que é preciso fumar a maconha para obter seus efeitos. Não existe nenhuma forma além do fumo?

Piomelli - Na verdade, existe, mas não é tão eficiente quanto. Existe uma droga, feita a partir do princípio ativo da maconha, o THC, que tem sido usada para fins terapêuticos em diversos países. Existe a possibilidade de se consumir o THC oralmente, mas os resultados demoram mais para aparecer. E quando você está com dor, quer alívio o mais rápido possível.

O consumo oral do THC passa pelo estômago. Mas quando você fuma a maconha, o THC vai direto do pulmão para a corrente sanguínea, e daí para o cérebro. O efeito é muito mais rápido.

Alguns pacientes também declaram que preferem fumar, porque eles podem controlar exatamente o quanto vão consumir. Eles podem dar duas ou três tragadas, por exemplo, e parar quando se sentem melhor. Quando você toma um comprimido, ele vai ter lá seus 10g ou 20g e você não tem escolha. Se não for o suficiente, vai ter que agüentar. Se for demais, não tem como não absorver.

Ultimamente, tem sido testada uma nova forma de se consumir o THC que tem a velocidade do cigarro, mas não faz mal à saúde: o aerosol. Os médicos pegam o composto e o transformam para que ele possa ser aspirado. Dessa maneira, se tem os mesmos benefícios, mas sem os riscos.

G1 - Como o THC funciona?

Piomelli - O THC não é exatamente o melhor remédio do mundo. Ele atua naqueles componentes do cérebro que falamos antes, os endocanabinóides. Os endocanabinóides regulam praticamente todas as funções do corpo humano, do sono à fome. Por isso, eles são encontrados em locais muito diferentes do cérebro.

O que o THC faz? Ele fortalece todos os endocanabinóides. Todos, ao mesmo tempo. O que acontece? A dor passa, todos os efeitos benéficos aparecem, mas a pessoa fica “doidona”. Quando alguém fuma maconha para fins recreativos a intenção é, exatamente, essa: ficar “doidão”. É esse o objetivo. Que não é o objetivo de quem está com dor e toma THC. Essa pessoa não quer ficar alterada, ela só quer que a dor passe.

O que precisamos é de um remédio eficaz e seguro, que tire a dor, que melhore a náusea, que tenha todos os efeitos benéficos da maconha, e que não tenha os seus efeitos colaterais. Que não deixe ninguém drogado.

G1 - Estamos muito longe de um remédio como esse?

Piomelli - Essa é a grande meta de todas as pesquisas científicas que usam a maconha. No momento, o foco está, principalmente, em se encontrar um meio de aumentar o efeito dos endocanabinóides do cérebro naturalmente. Encontrar algo que faça o próprio corpo liberar os efeitos positivos desses compostos, sem que seja necessário fumar nada. É nisso que maioria das pesquisas está trabalhando no momento.

G1 - Voltando um pouco aos efeitos negativos da maconha. Há pesquisas que dizem que maconha mata neurônios. Outras dizem que não. Afinal de contas, mata ou não mata?

Piomelli - Esse é o grande problema, não é? Temos pesquisas de um lado falando uma coisa e daí vêm pesquisas do outro falando exatamente o oposto.

O que eu posso dizer é que conforme as pesquisas avançam está ficando cada vez mais claro para os cientistas que a maconha não tem nenhum efeito tóxico no cérebro, na quantidade em que é normalmente consumida.

Existem pesquisas que mostram que grandes quantidades de maconha em um curto período de tempo vão gerar uma série de estragos. E elas estão certas. Mas isso também é certo para qualquer coisa. Se você tomar uma grande quantidade de aspirina em um intervalo pequeno, também terá muitos problemas.

Uma vez eu disse a um jornal norte-americano que a maconha era uma das substâncias mais seguras que existem. Essa frase gerou o maior barulho e eu perdi minha paz por algum tempo. Mas, mantenho a afirmação: a maconha é uma das substâncias mais seguras que existem.

É impossível você matar alguém com maconha. O máximo que você vai fazer é botar a pessoa para dormir. Nós temos uma gigantesca lista de remédios usados normalmente muito mais perigosos que isso. A maioria desses analgésicos que são prescritos como água por aí são capazes de matar alguém -- em doses não muito maiores do que as consumidas normalmente. E você não mata ninguém com maconha.

G1 - Maconha, então, não faz mal?

Piomelli - Para o cérebro? Não. Para o cérebro de um adulto. Vamos sair por aí permitindo que nossas crianças e adolescentes fumem? Não. O cérebro de um adolescente ainda está em formação. Você diz isso para eles e eles não entendem, mas o fato é que no cérebro de alguém nessa idade ainda falta um monte de coisas. O sistema que é acionado em comportamentos de vício, por exemplo, não está pronto antes da idade adulta. Fumar maconha nessa idade pode fazer um dano enorme. Qual a extensão desse dano? Não sei. As pesquisas ainda não conseguiram definir. Mas, pelo princípio da precaução, adolescentes deveriam passar bem longe disso.

Agora, para um adulto, é outra questão. Por enquanto, não temos evidência de nenhum estrago que seja feito pela maconha no cérebro. Mas fumar maconha, como fumar qualquer cigarro, aumenta o risco de câncer de pulmão, de câncer de boca, entre vários outros. Isso não faz bem e uma pessoa sensata evitaria.

A maconha deveria ser liberada? Isso é uma decisão que cabe à sociedade tomar. Nós, cientistas, só fornecemos os fatos.

G1- Na sua opinião, o que podemos esperar do futuro das pesquisas com maconha?

Piomelli - Eu acho, e defendo isso exaustivamente, que chegou a hora de irmos além da maconha. Se temos o composto e temos como ele age no cérebro, já está na hora de podermos dispensar a maconha. Quando isso acontecer, tudo ficará mais fácil. Quando tivermos um remédio melhor, eficiente, sem efeitos indesejados, que faça todo o bem que a maconha faz sem trazer todo o mal que ela causa, ninguém vai nem mais lembrar que maconha existe.

No passado, o ópio era consumido para curar e aliviar de tudo. Tínhamos milhares de pessoas por aí usando. Hoje, o consumo do ópio caiu bruscamente. Ninguém mais usa. Por quê? Porque avançamos. Porque fomos além do ópio. Desenvolvemos uma série de medicamentos muito melhores, e daí ninguém mais precisava disso. É o que precisa acontecer com a maconha.

http://tecnocientista.info/noticia_detalhe.asp?cod=3584


Pior do que ignorar certos assuntos, é fazer ignorantes de assuntos que se pensa saber.

Mas o que pensam os traficantes?

Pensam e fazem: Estão misturando pó de crack na maconha. Um "tapa" e o trouxa fica imediatamente viciado, não na maconha, mas no próprio crack  


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